Com o coração apertadinho por tomar para mim problemas que não são meus. Problemas que a razão sabe que não são, mas que o coração sente que são. (…) Pensando na minha maternidade, e de tantas outras mães, talvez um convite ao exercício do desapego à necessidade de controle. E de respeito às decisões alheias…
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Medo de crescer, medo de envelhecer
““Eu acredito que crescer é ao mesmo tempo, difícil, assustador, maravilhoso e libertador. Potente!!! E talvez seja por isso que existam as crises existenciais nas proximidades dos aniversários, pois é quando a experiência do crescer se torna mais concreta.
O fato, é que essa experiência não precisa ser solitária. Acredito que ela será potente se tiver pessoas ao seu lado, que confiam em você, te amam, te ajudem e te apoiem. Não hesite em pedir ajuda”
Uma mãe e madrasta em construção
Após decidir recomeçar a minha vida e fazer as pazes com o meu passado, a vida me apresentou um novo desafio, casar pela segunda vez!(…) Hoje eu cuido e zelo pela minha família bem de pertinho, está sendo um processo de construção, a cada novo dia, uma nova história a ser escrita.
Valorizando as delícias reais da maternidade.
Neste momento meus olhos já estavam marejando e eu disse: sim, filha, tudo ótimo. Estou aqui muito feliz em ver e ouvir o sorriso de vocês, as brincadeiras, a interação. Aí ela me disse: mas mãe, não está acontecendo nada demais. (…) eu disse: Filha, a vida é feita de momentos. Se você um dia resolver ser mãe, talvez consiga compreender a maravilhosa sensação estou sentindo neste momento e sorri para ela. Ela me olhou nos olhos e me abraçou carinhosamente.
É preciso confiar nos adolescentes
Quem dera pudéssemos aprender com eles e cumprir nossas responsabilidades e compromissos com mais alegria. Talvez seja pela maneira séria que encaramos as responsabilidades que muitos adolescentes não queiram crescer, ou tenham medo do crescer. Foi uma boa lição para mim, primeiro perceber que eles querem sim e dão conta da autonomia. Depois que às vezes, é preciso nos lembrar disso, pois sem querer, acabamos querendo controlar situações sem necessidade. Que é preciso permitir que eles experimentem as próprias maneiras de executarem atividades em grupo. E finalmente que é possível cumprir compromissos divertindo, com alegria e risadas.
Tornando o imprevisto, em mola de desenvolvimento
Quando do nascimento de um bebê, que traz consigo o desafio de questões inesperadas, onde buscar força e modelo para se entender mãe, quando a demanda é desorganizadora? (…) A busca em solucionar o problema é tamanha, como se assim fosse possível diminuir a dor da perda do bebê imaginado, do bebê idealizado e desejado.
A dor da separação e seu recomeço
“Viver a experiência da maternidade estava sendo uma descoberta sobrenatural, a qual me oportunizou explorar a magnitude de me tornar mãe e viver plenamente a maternagem.
Em contrapartida, eu negligenciava o desgaste do meu relacionamento conjugal, após o nascimento da nossa filha, houve tentativas de restaurar o casamento, porém o cansaço me abateu. Foi quando se esgotaram as minhas forças e eu cheguei à conclusão de encarar o divórcio.”
Ensinando e aprendendo sobre fé
“No dicionário, a palavra fé significa confiança absoluta em alguém ou algo, e foi essa transformação que vivi durante esses meses, todas as noites, rezando no quarto com meus filhos antes de dormir. Acho que não teríamos nos empenhado tanto em realizar o sonho de mudar para uma casa se não fosse pela fé das crianças.
Agora sempre que queremos conquistar algo, viajar para algum lugar, ou até comprar uma bicicleta nova, as crianças já começam logo com as orações na certeza que “Papai do Céu sempre atende”.”
Quinze Anos
“À primeira vista parece que lhe ofereço uma carta de alforria. Acho meio grosseiro o termo, afinal, não a mantive como cativa à revelia de meus caprichos e ordens. Penso ter sido uma orientadora para lhe indicar o “norte” e espero tê-la sido, afinal, um “pássaro”, não prende o outro.
Contudo, acho que será esta a sua sensação: a de liberdade.
Se vale ainda uma observação, nossos maiores “voos”, na maioria das vezes, o fazemos sem, nem mesmo, sair do lugar. Desta liberdade somos donos e senhores e, mesmo traz as grades, ninguém pode nos arrancar”
Acordos e esquecimentos
Aí, de novo, me pego novamente pensativa. Falo ou não falo? Cobro ou não cobro? Se alguém souber como devo proceder, me diga. Seria tão bom acalmar a minha mente e deixar minha filha assumir seus compromissos sem falação na cabeça, né? Ela já me disse que essa “falazada” aumenta a pressão e não a ajuda a se concentrar. E mesmo assim, eu ainda não consigo em todos os momentos.