Quando do nascimento de um bebê, que traz consigo o desafio de questões inesperadas, onde buscar força e modelo para se entender mãe, quando a demanda é desorganizadora? (…) A busca em solucionar o problema é tamanha, como se assim fosse possível diminuir a dor da perda do bebê imaginado, do bebê idealizado e desejado.
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A dor da separação e seu recomeço
“Viver a experiência da maternidade estava sendo uma descoberta sobrenatural, a qual me oportunizou explorar a magnitude de me tornar mãe e viver plenamente a maternagem.
Em contrapartida, eu negligenciava o desgaste do meu relacionamento conjugal, após o nascimento da nossa filha, houve tentativas de restaurar o casamento, porém o cansaço me abateu. Foi quando se esgotaram as minhas forças e eu cheguei à conclusão de encarar o divórcio.”
Ensinando e aprendendo sobre fé
“No dicionário, a palavra fé significa confiança absoluta em alguém ou algo, e foi essa transformação que vivi durante esses meses, todas as noites, rezando no quarto com meus filhos antes de dormir. Acho que não teríamos nos empenhado tanto em realizar o sonho de mudar para uma casa se não fosse pela fé das crianças.
Agora sempre que queremos conquistar algo, viajar para algum lugar, ou até comprar uma bicicleta nova, as crianças já começam logo com as orações na certeza que “Papai do Céu sempre atende”.”
Quinze Anos
“À primeira vista parece que lhe ofereço uma carta de alforria. Acho meio grosseiro o termo, afinal, não a mantive como cativa à revelia de meus caprichos e ordens. Penso ter sido uma orientadora para lhe indicar o “norte” e espero tê-la sido, afinal, um “pássaro”, não prende o outro.
Contudo, acho que será esta a sua sensação: a de liberdade.
Se vale ainda uma observação, nossos maiores “voos”, na maioria das vezes, o fazemos sem, nem mesmo, sair do lugar. Desta liberdade somos donos e senhores e, mesmo traz as grades, ninguém pode nos arrancar”
Acordos e esquecimentos
Aí, de novo, me pego novamente pensativa. Falo ou não falo? Cobro ou não cobro? Se alguém souber como devo proceder, me diga. Seria tão bom acalmar a minha mente e deixar minha filha assumir seus compromissos sem falação na cabeça, né? Ela já me disse que essa “falazada” aumenta a pressão e não a ajuda a se concentrar. E mesmo assim, eu ainda não consigo em todos os momentos.
Minha filha está namorando
Percebi, então, que sim, existem momentos importantes, necessários e que por mais que eu aceite e entenda sob a luz da razão que estou preparada, não é bem assim que acontece. Ao chegar em casa, achei foi é graça da minha prepotência e aceitei o desconforto existe, sim, ao perceber a filha namorando. E que ele não passa assim tão rápido.
Pensei ter enganado, mas me enganei
Um dia fui a igreja, enquanto rezava pedi a meu filho que se aquietasse para fazer minhas orações. Ele me observava com muito interesse, para ele ficar quieto eu disse que o santo que cuidava de tudo, inclusive nos dávamos presentes (…) Chegando perto do Santo meu filho falou: Esqueci de pedir o meu presente de Natal (…) Eu pensei não vou ter dinheiro para comprar, é muito caro. Para minha surpresa, na véspera de Natal, meu marido recebeu um dinheiro (…) Saí correndo para comprar o presente que ele queria.
Carta para minha filha
Quero lhe ensinar que nem sempre alguém mais velho que nós mesmos são os “donos da palavra”, às vezes as pessoas se equivocam e querem nos impor conceitos ultrapassados e sem sentido. Quero ensiná-la a ter autenticidade e ser capaz de se “virar” sozinha. Quero ensiná-la a ter cautela com o desconhecido, mas não se deixar enfraquecer e se acovardar diante situações difíceis. Quero ajudá-la a desvendar os mistérios da sexualidade e compartilhar c, contigo, a “virada” para mulher. Quero lhe dar direito a questões sem nenhum constrangimento.
O começo de uma maratona
“Naquele momento, deixei de ser filha para me tornar mãe! Tinha 21 anos. O que fazer?
Não foram poucas às vezes chorar com ela, afinal, não havia trazido ao mundo, a tão sonhada bebe para chorar e sofrer, concordam? Fomos as duas, descobrindo juntas, como é ser mãe, pois até então não sabia como era ter uma filha de verdade. A experiência foi nos ensinando e aqui estamos. Foi o melhor empreendimento da minha vida!”
Como pensamos diferente!
Por que é tão difícil para mim pedir ajuda? Por que será que espero que as minhas filhas, adolescentes, em uma etapa da vida com muitos momentos de introspecção, adivinhem o que eu preciso? Qual é a minha dificuldade em expressar, de maneira objetiva, o que é necessário naquele momento? De onde vem essa necessidade de achar que outras pessoas devem adivinhar o que eu preciso? E quando não adivinham, ou adivinham algo errado, por que fico tão nervosa?