Costureira a 38 anos, que entre linhas e pespontos conduziu suas 2 filhas arrematando os percalço de uma maternidade solo desde 1985. Alinhavou com maestria o tempo, costurou o amor…de ponto em ponto nos guiou.
Arquivos da categoria: Cartas de filhos
Carta para minha mãe
Mas sabe, mãe, parece clichê, mas só entendemos o significado da palavra MÃE, quando tornamos mães. Me lembro dos seus conselhos e ameaças. Das surras que tomei. Naquela época, não tinha muita conversa. Éramos somente mãe e filha. E pronto.
Meu pai me ensinou a ser sapatão…
E seguimos a vida, na adolescência eu me descobri lésbica, porém sem coragem de contar para a família tinha medo de decepcioná-los. Meu pai sempre teve muito orgulho de mim e eu um amor incondicional por ele, na verdade, ele sempre soube quem eu era. Tanto ele como minha mãe, e ele sempre repetia que eu poderia ser o que eu quisesse ser, só não deveria nunca abaixar minha cabeça e aceitar menos do que eu mereceria.
Ainda que eu não tenha um
E assim é a mulher. Posso não ser mãe, mas sou filha. E sofro outras pressões, uma delas por não ser mãe. No trabalho, me veem como um homem, porque não tenho filhos e assim posso me dedicar ao mesmo, segundo fala deles. E cobram de mim que assim seja. Na família, me veem como uma cuidadora que, por não ter filhos, posso me dedicar integralmente aos cuidados dos doentes e idosos da mesma.
Mãezinha
“Pude perceber que as dores dela, se fusionam com as minhas.
Perdoar a mim, acolher a minha dor, foi o início de tudo.
Olhar para a dor da sua mãe e/ou a dor de ser mãe, traz cura a sua criança ferida.
Por isso, mãezinha, vou fazer diferente para diferenciar.
E colher bons frutos dessa libertação dos ciclos viciosos do passado, que pode ser o ontem.”
Um momento desejado
Minha mãe é uma mulher guerreira. Passou uma boa parte da sua vida com muitas necessidades não atendidas. Deixava de comer para dar aos seus filhos. Teve vez que o único alimento em casa era macarrão e água. Meu pai bebia muito e nos deixava passar forme, pois gastava todo o dinheiro com cachaça. Passamos por tanta coisa!
Carta para minha mãe
Eu não tenho palavras para descrever o quanto você é especial para mim. Sei que é muito difícil para você me ver mal, o que acontece às vezes, mas obrigada por respeitar quando eu não quero conversar ou quero ficar sozinha. Você é incrível, consegue me fazer sorrir e bem tão facilmente. (…) Até os textinhos enormes que eu finjo que nem vi, mas choro toda vez que você manda ou que eu leio.
Em teoria, eu venho cuidar dela, mas é sempre ela quem cuida de mim.
Agora, a mulher que tudo sabe da história da nossa vida, precisa de cuidados 24 horas, não se comunica mais com eloquência, mas eu vivi até ali sendo cuidada, entendida, acolhida, comunicada, aconselhada e formatada por ela. (…) E assim sigo, mamãe, sendo cuidada por você até o final da minha vida!
Realização é individual
Não é fácil olhar para a relação mãe-filha. Tem muitos sentimentos envolvidos. Fortes, intensos, ambíguos, confusos… (…)E assim eu sigo aprendendo a respeitar, identificar, reconhecer e transformar as relações entre mães e filhas da minha linhagem na intenção de promover a sua continuação.
Um filho adicto
“Assim, fui descobrindo na bebida alcoólica o prazer para anestesiar toda aquela cobrança e consequentemente meu comportamento estava mudando, o que foi gerando ainda mais atrito na família. Sem saber estava trazendo à luz um grande problema familiar – o alcoolismo. (…)Assim fui crescendo, tropeçando, criando conflitos e por fim fui apresentado as drogas ilícitas por amigos.
“