Aceitando a maternidade atípica

Hoje venho aqui contar um pouco da minha história e eu adoro contá-la. Vou ter até que me conter aqui minhas palavras. Eu vou começar falando aqui da aceitação. Sou mãe atípica, tenho 43 anos e uma filha de 6 anos com Síndrome de Down. 

O coração fala

Minha mãe estava em casa na época e ela dizia que asia era normal, devido à quantidade de cabelo que a criança tinha. Porém, eu sentia dentro do meu coração que aquela asia, em específico, não era normal, pois estava muito forte.

Filho Idealizado, filha real

E o tempo, o senhor tempo, sempre nos faz ver, o que muitas vezes não queremos ver. O medo de ver, entender, reconhecer nos faz cometer violências veladas, impingir sofrimentos de forma inconsciente. (…) Com 18 anos, W. conversou comigo e o pai que ele se sentia uma pessoa diferente, culpada por não corresponder as nossas expectativas de mãe e pai. (…) Ele declarou que era homossexual

Parto e amamentação

Eu consegui amamentá-lo por mais tempo que a irmã, por 3 meses. A mastite quis vir e fui aconselhada a parar, a não sofrer novamente… E eu relutando, pressionada, decidi parar. Vivi momentos marcantes! Me incomodou muito em oferecer utensílios (a cada higienização criteriosa, eu chorava) e leites industrializados, para meus filhos, porque acreditava que era o ideal. Tenho consciência que foi do jeito que tinha que ter sido. Mas com certeza, me impulsionou a estudar muito, a praticar com outras mães, a ouvir e me tornar Conselheira em Aleitamento Materno e doula.

Ainda que eu não tenha um

E assim é a mulher. Posso não ser mãe, mas sou filha. E sofro outras pressões, uma delas por não ser mãe. No trabalho, me veem como um homem, porque não tenho filhos e assim posso me dedicar ao mesmo, segundo fala deles. E cobram de mim que assim seja. Na família, me veem como uma cuidadora que, por não ter filhos, posso me dedicar integralmente aos cuidados dos doentes e idosos da mesma.

A magia do Papai Noel

E dentre tantos pensamentos, me coloco reflexiva a respeito dos muitos rituais que se materializam dentro da minha família e como esses se projetam, se adaptam no decorrer do tempo. (…) eu, no auge dos meus 46 anos, me sinto muito confortável em dizer que acredito na magia do Papai Noel e me sinto orgulhosa em presenciar, que, pelo menos, no Natal de 2023, em alguma instância e de alguma maneira, a minha família também acreditou.

Aprendendo a ser cuidada


Uma histerectomia total, que retirou a primeira casa dos meus filhos, levou meu útero… e todo esse processo do pós-operatório só nos uniu ainda mais. É muito significativo o símbolo de ter perdido a primeira casa dos meus filhos, mas é ainda mais significativo o amor que nos une e esse, nunca, nada, nem ninguém pode tirar de nós, por todo sempre.”

Quando a gente pulsa, a gente tá junto.

“É engraçado como nós, mães, estamos sempre no papel de ensinar aos olhos dos outros, mas pelo menos na minha experiência eu aprendo tanto quanto ensino. (…) A clareza do pensamento ainda que parecesse confuso, me deixou muito reflexiva, como pode alguém tão pequena saber tanto e perceber tanto?