Aceitando a maternidade atípica

Hoje venho aqui contar um pouco da minha história e eu adoro contá-la. Vou ter até que me conter aqui minhas palavras. Eu vou começar falando aqui da aceitação. Sou mãe atípica, tenho 43 anos e uma filha de 6 anos com Síndrome de Down. 

O coração fala

Minha mãe estava em casa na época e ela dizia que asia era normal, devido à quantidade de cabelo que a criança tinha. Porém, eu sentia dentro do meu coração que aquela asia, em específico, não era normal, pois estava muito forte.

Importantes como elo

Em junho deste ano, soube que precisava passar por uma cirurgia bastante séria. Foi um rebuliço aqui em casa, afinal, a mamãe que tudo da conta, resolve e está sempre bem, de repente, sem sintoma algum, precisa fazer rapidamente um procedimento delicado. (…) Vi nos meus filhos a apreensão de que eu fosse embora, que fosse morrer. O mais novo, chegou a verbalizar.

Preciso desabafar

Gente, eu luto com os sintomas de TDAH desde que me entendo por gente e nesse momento estou passando por um período de grande desregulação emocional. Eu preciso trabalhar os 3 turnos para receber cerca de 2 mil reais e a psiquiatra teve a cara de pau de me mandar trabalhar menos. É foda lidar com quem não tem consciência de classe social.

Eu só queria

Vocês talvez não consigam me entender, mas muitas mudanças acontecem nas nossas vidas e nós mulheres e que arcamos com a maioria do peso dessas mudanças. Depois do nascimento da minha filha mais nova, que hoje tem 4 anos, meu relacionamento nunca foi o mesmo.

Luta diária contra preconceito

Meu sangue ferveu tanto que minha filha veio atrás de mim. Falei com elas, as duas crianças, que ele não era um bebê. Expliquei que dos outros não é legal. E que se a brincadeira delas deixou meu filho triste, então não é brincadeira. Finalizei explicando que ele é uma criança com autismo e perguntei se elas conheciam alguma outra criança parecida com ele.

Tomada de decisão Apoiada, o que é isso?

“Descobri, nem sei bem como, que hoje existe uma nova lei para casos como o dele. Chama-se Tomada de Decisão Apoiada.
Permite que ele mantenha a autonomia, conta em banco e carta de motorista, mas qualquer decisão que envolva valores maiores, como compra ou venda de bens, precisa de anuência de algum dos pais, ou dos irmãos.”

Os medos da maternidade atípica

No ultrassom de translucência nucal recebi a temida notícia. “Sua filha tem uma pequena alteração na nuca e isso pode ser resultado de uma síndrome, provavelmente uma síndrome de down”. O meu mundo caiu. Afinal, qual mãe deseja ter um filho com deficiência? Não me julguem, mas todas nós sonhamos com uma gestação linda e saudável.

A vida começa depois do carnaval

“(…) eu disse que estaríamos juntos nas folias, alegrias ou nas quartas de cinzas, e fui pela primeira vez ver a razão da minha vida, pouco sabia sobre a trissomia 21, muito menos o que seria ser pai. Mas quando olhei pela incubadora e vi aquela menina (…) logo passei a unha sob os pés, e ela recolheu as perninhas, e toda a tristeza que ainda sentia foi embora e percebi que com esforço, fé e amor, poderia sim, sambar, independente do samba, enredo ou bateria.