Conselheiro Lafaiete, 24 de junho de 2026
Queridas mamães, queridos leitores
Espero que esta carta os encontre bem. Essa semana, estava pensando sobre a questão da liberdade e do ensino das escolhas. Escolher é algo complexo, demanda energia e cansa mesmo, né? Fazer escolhas, para falar a verdade, é libertador, mas também exaustivo. E ainda por cima traz a responsabilidade, que, no caso da maternagem, com muita frequência migra fácil para a culpa, né?
Em algumas situações na vida cotidiana em que os comportamentos das nossas filhas provocaram desconforto e não foram aceitos, meu marido já externou algo assim: “Mas fomos nós que as criamos, né? Nós fizemos isso.”
Conscientemente, sei que não é bem assim. Não temos todo esse poder. Ainda mais agora, que são adolescentes. Existe a questão da individualidade, como elas absorveram e absorvem o que veio de nós, pais, e também de outras influências, como amizades, mundo virtual, escola, entre tantas outras. Porém, apesar disso e dele, meu marido, dizer “nós”, e eu saber que é “nós” mesmo, por que, no fundo, acabo entendendo eu? Porque transformo o nós em eu. Talvez porque me recordo de já tê-lo presenciado ele ter desabafado com o irmão, que por algum momento deixou de brigar pelos próprios pensamentos na educação das nossas filhas, ao ver meu empenho e meu estudo nesta área. E acabou resolvendo apostar nisso. Mas será que é só isso?
No fundo, essa fala acaba encontrando espaço em mim para a cobrança, para a culpa, me silenciando. Fazendo com que eu absorva essa parcela de responsabilidade que não me pertence. Por que será que eu acabo aceitando isso, também?
Fico pensando que, mesmo o não posicionamento, é uma escolha, e o fato de eu não me posicionar e silenciar indiretamente faz com que eu assuma a maior parte desta responsabilidade do cuidado. Mas será que isso é mesmo uma escolha ou uma imposição silenciosa destinada a nós, mulheres, pela influência de uma cultura patriarcal que direciona toda a responsabilidade do cuidado para a mulher / mãe. E é tão forte, está tão impregnada, que faz com que eu mesma ainda acabe acreditando nisso.
Esse processo de desconstrução da responsabilidade integral da mulher para a educação dos filhos é inconstante. Ele vai e volta e torna a retornar. É difícil, árduo, incerto. E precisa mesmo falar, tornar a falar, repetir. Precisamos sempre estar pensando a respeito, para promover essa mudança tão necessária e importante.
Assim, repetitiva, me despeço.
Com afeto, tenho 49 anos, sou casada, e duas filhas de 18 e 15 anos.
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