Medo

Ouro Branco, 15 de maio de 2026

Me vi grávida aos 17 anos. O ano era 2006. Há 20 anos, tudo era diferente dos tempos de hoje, e eu estava com medo, sem saber o que fazer.

Em um primeiro momento, não tive apoio, pois foi uma decepção para minha mãe — palavras ditas por ela — e novamente o medo apareceu. Eu pensava e chorava: “Mas o que vou fazer? Ela nunca conversou comigo, nem me explicou sobre a vida, e eu também tinha vergonha de falar com ela sobre essas coisas.”

Depois, ela percebeu que eu só tinha ela e me acolheu. Minha mãe entendeu que eu passaria pelos mesmos momentos que ela já havia vivido. Imaginar um serzinho dentro de mim crescendo deu medo — medo de não saber o que fazer, nem como fazer.

Minha vó, uma senhora já bem vivida e com ampla experiência, me acalmou. Minha mãe sentiu o meu medo em cada mudança, em cada consulta, e cuidou de mim. Me deu colo com o amor enorme que só uma mãe tem, pois futuramente quem seria mãe seria eu.

Então entendi que a revolta do início era, na verdade, o medo dela de saber tudo o que eu iria passar, assim como um dia ela também passou.

Deu medo no início, deu medo no meio e deu medo no nascimento.

E essa é uma história para uma outra carta.

Tenho 66 anos e dois filhos.


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