O dia em que eu caí

Ouro Preto, 29 de maio de 2026

Hoje acordei animada. Ia fazer yoga e resolvi caminhar.  Assim que começamos a caminhada na UFOP, eu levei um tombo…

Escorreguei? Pisei em falso? Fiquei tonta? Me desequilibrei? Foi a troca de óculos? Foi por estar ouvindo um podcast e tentar encaminhá-lo no celular, em movimento?

Sei não. Sei que caí. De madura que estou?

O tombo me fez chorar e ficar sentada um tempo… Senti muita raiva. Raiva mesmo! Meu marido, tentou me levantar, me acolher… Eu só queria me apoiar nele e ir embora o mais rápido possível.

Ninguém mais me viu cair? Percebi que, além da raiva, senti vergonha e até medo. Medo de não andar mais, de estar realmente ficando velha, de não dar mais conta de fazer o que gosto.

Um amigo do Grupo São Marcos chegou de mansinho. Se prontificou a ajudar sem invadir, só nos ouviu. Nem sobre meu irmão internado perguntou. Gratidão, amigo! Pode ir… Estou inteira. Voltando à minha realidade: joelho esquerdo e mão direita esfolados, óculos arranhado. E mais nada.

Resolvi completar as 9 voltas que faltavam. Ando 6 km diariamente. Fomos conversando, refletindo sobre o acontecido:

Na semana passada eu já tinha dado sinais de que poderia cair. Foi durante os passeios às cachoeiras na Chapada dos Veadeiros/GO, em uma viagem linda com nossos filhos e os filhos de amigos. Um passeio muito esperado e que foi maravilhoso.

Mexer no celular pode causar estragos. Tem hora pra tudo. E o que eu estava ouvindo me fez pensar mais. Falava sobre nutrição na menopausa de forma ampliada: que não basta só se alimentar adequadamente. É preciso olhar o que está por trás das emoções, como a saudade dos filhos, da harmonia e da alegria de estar junto.

A troca de óculos é uma boa desculpa, mas não me convence. O caminho ter buracos e não estar tão apropriado?

Sentir tontura, não equilibrar… essa sensação é horrível.

Meu irmão hospitalizado, em tratamento paliativo, com metástase do câncer de pulmão… já não tenho, temos mais o que fazer, só rezar! Deus está no controle de tudo! 

E peço forças para aguentar as partidas… Caminhei e vi que não gosto de parar nada no meio do caminho. Que gosto de concluir o que me proponho a fazer, mesmo sem muita força para progredir. Que a energia no meu corpo continua grande, mas transformada.

Ao entrar no carro para voltar para casa, fiquei pensando:

Agora é tempo de mudanças, de adaptações…  Que o cair, ah esse tombo!  

Eu devo levantar os pés do chão, uma perna após a outra para dar passos, olhar com foco e seguir em frente! Me cuidar. Tropeços não definem a caminhada. Eu levanto, sacudo a poeira e sigo. Porque o chão é só o impulso pro próximo passo. 

Tenho 66 anos e dois filhos.


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