Conselheiro Lafaiete, 1º de abril de 2026
Queridas mães escritoras e leitores
Há um tempo que não escrevo e estou com saudades. A cada dia entendo como a escrita me organiza e me sustenta. Há um tempo, a vontade de escrever essa carta está presente em mim. Adoro contar meus causos…
Há umas semanas, tive uns confrontos com as minhas filhas. Cada um em um dia, de forma consecutiva. Não me lembro bem ao certo do gatilho e motivo, mas sei que discutimos e não foi agradável. E, como de praxe, a culpa vem. Por mais que entenda que não sou perfeita, que a frustração é importante para o amadurecimento delas, esses momentos me deixam muito desconfortável, triste, frustrada, decepcionada comigo. Acho que pertencem ao pacote da maternagem, né?
E, no terceiro dia, fiquei ‘amoada’, mais calada, bastante reflexiva e quietinha no meu canto. Meu marido percebeu, já sabia que eu estava chateada e me deu espaço para viver o que tivesse que viver. Foi quando, no entardecer, minha filha caçula chega e me fala algo assim:
– Oi, mãe, o que está acontecendo? E eu fiquei calada, como costumo agir quando estou chateada. Então ela continua.
– Mãe, às vezes esqueço que você é um ser humano antes de ser mãe. Uma mulher que se chateia e se irrita muito por coisas pequenas, que às vezes nem sabe o motivo direito, que emburra, empaca, faz biquinho, fica calada. Não é muito diferente da gente, né?
E foi assim que ela me lembrou que essas atitudes também me tornam um ser humano, do jeitinho que somos, imperfeitos, descontrolados e, nesta contemporaneidade, de vez em quando, histéricos. Trazer essa realidade assim, de maneira nua e crua, mas também amorosa e afetuosa, me fez entender que é isso mesmo. E que muitas vezes, não preciso mentir, nem fingir que está tudo bem, pois, de alguma maneira, elas, minhas filhas, me conhecem e percebem o que está acontecendo.
E o que eu mais admiro nesta geração é a capacidade de falar o óbvio de maneira simples e sincera.
E isso é lindo, tanto para mim, como para ela. Acredito que ao me permitir ser humana, estou também permitindo a ela ser também.
Sigamos assim
Com muito carinho me despeço
Tenho 49 anos, casada e duas filhas, com 17 e 15 anos.
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