Maternidade Atípica

Bragança, Pará, 21 de novembro de 2024

Não há NINGUÉM no mundo que deseje ser uma “mãe ATÍPICA”

Ser uma mãe diferente da maioria é muito bonito, 

Desde que esta mãe não seja você. 

Nessa maternidade que ninguém quer, 

Que muitas vezes, ninguém vê,

Aprendi a aproveitar os dias de sol,

Do jeito que vem e que eu posso, 

Porque, mesmo nesses dias, vez ou outra, aparece um chuvisco

E até uma tempestade,

Nem sempre estou pronta para me molhar,

Mas me molho.

Obviamente, ainda sinto medo,

Mas percebi que meu medo inicial, 

na fase do diagnóstico da Júlia,

Era tão grande quanto o que, hoje, me move a lutar

Todos os dias por ela.

Jamais pediria uma filha autista à Deus,

E ANTES DE ME JULGAR, SE PERGUNTE: EU PEDIRIA?

Quem pediria para ser uma mãe que precisará estimular seu filho

Pelo resto da vida?

Que verá, muitas vezes, o preconceito nos olhos dos outros

Em relação ao seu filho?

QUE PERDE O SONO IMAGINANDO: 

COMO SERÁ QUANDO EU NÃO ESTIVER MAIS AQUI?

Mas confesso à vocês, eu não quero ser a mãe de outras filhas

Que não sejam as minhas.

Por mais que eu deseje que elas tenham independência, boa comunicação

E muitas outras coisas,

Para ser mãe de três filhas típicas

Eu perderia minha caçula, a Júlia.

E eu jamais conseguiria viver sem ela,

Eu a amo,

mesmo sem amar o autismo,

Eu luto por ela e pela causa, 

Mesmo me sentindo, MUITAS VEZES, EXTREMAMENTE cansada.

Essa busca incansável pelo evolução da Júlia, 

me tornou uma pessoa melhor.

Quando nasce uma criança atípica, 

Nasce uma mãe atípica.

Uma mãe que tem medos e anseios,

Mas que não foge e nem recusa uma batalha.

Tenho 47 anos, sou mãe atípica, meus filhos têm 20, 15 e 6 anos.



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