A droga quase acabou com a minha família

Conselheiro Lafaiete, 07 de maio de 2024

Oi, boa tarde, boa noite ou bom dia!

Sou uma mulher negra, altura 1,70 metros. Tenho três filhos. Durante a minha vida senti várias emoções. Sempre vivi com muita zueira, e não ligava muito para meus filhos. Deixava com minha mãe e minha irmã, o que me fez parar aqui na APAC (Associação Proteção e Assistência dos Condenados). Foi um latrocínio.

Meu filho mais velho recebeu desde pequeno tudo que queria. Mas o mais importante que ele precisava, ele não tinha que ser meu amor. O pai dos meus filhos, presidiário. Meus outros dois filhos não tiveram carinho e hoje entendo o que eles sentiam sempre que visitavam ele. Eu levava os filhos para ele os ver, então perdi quase minha juventude inteira visitando o presídio. Ele saiu da cadeia e me traiu com outra mulher. Meu filho mais velho começou a traficar. Aí começou meu pesadelo. Eu viciada, ele traficando. Eu já estava muito revoltada com tudo, pois meu filho já estava ganhando poder. Vendo dinheiro fácil, comprou tudo o que queria, moto, cordões caros. Porém, um dia ao anoitecer, ele foi preso, foi para o serespinho, em BH.

Aí que acabou minha vida mesmo, ele ficou 3 meses preso, saiu e continuou. Mas agora ele já não tinha sossego, pois os rivais do pai dele queriam ele também. Teve uma troca de tiros, foi por Deus que meu filho não morreu. Hoje o pai dele saiu da cadeia de saidinha e não voltou. Vendo que o filho dele estava quase sendo morto, resolveu ir para o Rio de Janeiro levando-o.

Me encontro aqui na APAC cumprindo minha pena, mas com muita saudade da minha família. Vou sair daqui e viver uma nova história, sem drogas. Aproveitar o máximo com meus filhos, pois aqui tenho contato com a minha família. Aqui realmente vi quem me ama. Tem dois anos que estou aqui. Só vejo minha família pelo celular, pois onde eles moram é a 10 horas de viajem daqui e eles não têm condições.

Choro muito mais hoje. Vejo que tudo tem uma explicação, hoje não entendo mais lá na frente, eu sei que vai ser válido. A droga quase acabou com a minha família, agradeço a deus por estar aqui, pois acredito que foi um livramento.

Tenho 35 anos e sou mãe de 3 com 17, 15 e 14 anos


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