Conselheiro Lafaiete, 31 de março de 2022
Querida mamãe,
Espero que esteja bem. Venho hoje relatar sobre um acontecimento vivido ontem aqui em casa e que foi de muito aprendizado para mim.
Quando fui buscar a minha filha na escola, ela já entrou no carro falando sem parar que estava indignada e muito nervosa. O fato foi que um de seus colegas havia informado aos pais que estava sofrendo bullying. Então os pais foram a escola e houve um boato de que eles estavam querendo processar alguns colegas da sala dela.
Bom, eu já sabia que ela não tinha e nem tem muita afinidade com este colega, pois ela já havia relatado com alguma frequência, que preferia ficar longe dele, pois ele apresentava e as vezes ainda apresenta comportamentos que ela não aprova e nem concorda. E ela já havia inclusive me perguntado:
– Mãe, está tudo bem eu não gostar de algum colega, né? Eu não preciso gostar de todo mundo, né?
E eu confirmava que sim, mas que não podia lhe faltar respeito, pois o respeito é algo que todo mundo merece, tendo afinidade ou não.
Então, quando ela chegou furiosa e continuamos conversando. Eu disse:
– Uai, filha, se alguém sente que está sofrendo bullying, deveria contar para os pais, não é mesmo?
Ela confirmou:
– Sim, mãe.
Aí ela continuou:
– Pois é, e os pais foram na escola e rolou um boato de que eles estavam querendo processar alguns garotos da sala.
Eu novamente me posicionei:
– Bom filha, acho que é também compreensível os pais irem à escola para saber o que está rolando, né?
E ela disse:
– Sim, mãe, é verdade.
Foi então que ela disse:
– Sabe o que me deixou tão nervosa, mãe?
Eu fiquei quietinha aguardando a sua resposta.
– É que ele também não é santo.
E neste momento eu pensei, verdade. E no fundo fiquei na dúvida, compreendi que precisávamos entender melhor o significado do termo bullying, para usá-lo corretamente e no contexto apropriado. O mais interessante, foi que na noite deste dia, eu comecei a ler um livro chamado “Como Criar um Adulto” e logo no início me deparei com um capítulo denominado o uso exagerado do termo bullying. A autora não nega a existência e a importância de reconhecer o bullying, mas também nos instiga a refletir como e quando utilizamos esse conceito. Na opinião dela, o termo é muito utilizado e se confunde para descrever, nas palavras dela “incidentes que nada mais são do que um estágio normal do desenvolvimento e socialização infantis (ainda que sejam desagradáveis e difíceis de observar)”.
E nestes casos, ela explica como essa confusão pode ter maiores consequências. Ela escreveu:
“Quando você se mete para defender seu filho, ele se torna vítima. O que você está dizendo é: Você é incapaz. Não é forte o suficiente para resolver isso por si só e precisa que eu intervenha e cuide disso no seu lugar.”
Após ler esse capítulo sozinha, eu li também com ela e estamos ainda tentando compreender o que aconteceu. E nessas conversas e reflexões, a cada dia, vamos ampliando a nossa percepção e nosso posicionamento para estes assuntos tão presentes, mas também tão conflituosos no nosso dia a dia.
Com carinho, me despeço.
Nívea Viana, mãe de Isabela Cristina (13 anos) e Maria Luisa, 11 anos) .
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