Conselheiro Lafaiete, 07 de novembro de 2025
Queridas mães, queridos leitores
Espero que estejam bem ao ler ou ouvir essa carta. Escrever nos leva a refletir sobre a vida e as nossas decisões e para mim, me ajuda a ser congruente entre minha fala e meu agir. Bom, sei que nem sempre consigo, mas meu objetivo é a cada dia diminuir a minha lacuna.
Na semana passada, durante o mês de outubro tive a oportunidade de mediar rodas de conversas e promover palestras sobre o autocuidado e cuidar de quem cuida. Motivada pelo outubro rosa e o dia dos professores. E fico pensando, o que é realmente cuidar de quem cuida e o que é autocuidado. Foram oportunidades de refletir sobre diferentes formas de se cuidar, de como levar o nosso olhar para nós mesmas, nos colocarmos como variáveis nesta equação, entendermos nossas necessidades pessoais e buscar um meio termo.
Mal sabia eu, que toda essa conversa seria direcionada a prova na minha própria experiência. No último dia de outubro, minha mãe me informa que sua tia querida havia falecido e ela não tinha quem a levar para o velório e sepultamento. Na mesma hora, minha mente, assim como o google maps, foi buscando alternativas e possibilidades para que eu conseguisse ir com ela. Claro, que não era nada simples, pois neste dia, em especial eu já tinha assumido alguns compromissos e demandaria um esforço enorme para reajustar tudo.
Foi neste instante, que pensei, deixa eu me colocar neste lugar e cuidar de mim. Se eu largar tudo aqui e for lá, quais consequências terei para reequilibrar os compromissos agendados? A que preço sairia essa mudança? Foi então que pensei, que outra forma poderia participar, considerando as minhas necessidades? Então, avaliei melhor e conversando com a minha mãe busquei outras maneiras de ser útil sem me deslocar fisicamente naquele dia.
Na conversa, identifiquei outras possibilidades, pois minha mãe externou a vontade de fazer uma homenagem para a tia. Então sugeri que a mamãe escrevesse um poema para ela, que eu me prontificaria a fazer a arte para o poema de maneira a ser distribuída no momento do ritual de despedida. E assim eu fiz, a incentivei a escrever, destacando coisas que ela gostava e palavras que a mamãe poderia colocar no poema. Logo depois dessa conversa, minha mãe me enviou um poema dizendo sobre a habilidade desta tia em fazer bordados, quando lembrei que tinha um vestido que ela havia bordado.
Busquei o vestido, fotografei o bordado, criei uma arte com o bordado, a foto e o poema e enviei para a mamãe a tempo de providenciar a impressão. Motivada em concretizar a homenagem, minha mãe conseguiu um transporte e companhia para ir ao velório. À noite, ao conversarmos ela agradeceu e disse que deu tudo certo, que foi uma linda homenagem e apesar das circunstâncias ela estava se sentindo realizada.
Após essa conversa, fiquei pensando que obtivemos um bom resultado ao avaliar ambas as nossas necessidades. Mas como foi difícil, e se não fossem as várias reflexões do mês, talvez eu tivesse saído desesperada ao saber da notícia para estar perto da minha mãe. Acho que também daria certo, mas não tenho certeza como eu estaria nos dias depois. Inserir minhas necessidades na busca das decisões é algo que estou construindo. Espero que um dia se tornem naturalizadas.
Assim, sigo,
Tenho 48 anos, minha mãe tem 78 e tenho duas filhas com 17 e 15 anos.
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