Divertir é uma forma de cuidar

Conselheiro Lafaiete, 11 de junho de 2025

Olá, queridos leitores, leitoras

 Hoje acordei pensando como é importante incorporar o bom humor na maternagem. Talvez, tenha acordado assim, pois ontem, minhas filhas de 17 e 14 anos estavam na nossa cama, minha e do meu marido, brincando e disputando lugar com ele, em meio a gargalhadas. Foi meio assim, uma chegou, deitou-se lá e, meu marido, aos gritos, começou a pedir ajuda, de forma que a outra saiu do quarto correndo e foi lá exatamente para deitar junto e aumentar a confusão. Mas foi esse mesmo o objetivo dele, fazer esse movimento, de alegria, brincadeiras quase 11 horas da noite.

Depois deste momento, que a energia baixou e a casa se silenciou, ele me disse: estou tentando ser um pai mais sério, mas ainda não consegui.  Então respondi: Que bom que não consegue!

E eu, me senti lisonjeada por ter ao meu lado, um companheiro que me ajuda a trazer leveza para o nosso convívio pelo bom humor. E é tão curioso, pois, quem o conhece fora dos muros na nossa casa, geralmente identifica uma pessoa séria e até muito sistemática, o que não deixa de ser verdade.  

E essa característica não vem de agora. Lembro da nossa primeira experiência em cuidar de um bebê, e, ele, desde o primeiro momento curtia a pequena. Apesar de realmente ser muito pequena. Ele de forma natural, brincava, conversava e se sentia completamente confortável com ela nos braços. Eu, no meio do turbilhão de emoções do puerpério, não conseguia sentir-me tranquila. Tinha muita preocupação, insegurança, cansaço. Lembro-me da sensação forte de inveja da relação que eles estavam estabelecendo. O que, em algumas situações, me fazia sentir raiva. Raiva por não conseguir relaxar e curtir como ele. 

Mas, aos poucos, fui aprendendo. A convivência ensina. E foram muitas oportunidades, pois ele adorava contar histórias para as meninas dizendo que foi obrigado a se casar comigo, que tinha uma corda invisível levando-o ao altar. Em outro momento, quando ele foi tirar uma pinta e teve um pequeno corte nas costas, dizia que tinha que ficar um mês de repouso e que a luz e o barulho, incidindo sob o machucado fazia-o doer ainda mais, por isso elas deviam ficar quietinhas e em silêncio. Em outra situação ele dizia que eu só nasci pois ele havia nascido 6 meses antes para cuidar de mim. Costuma dizer também que o sol gira em torno da via láctea, e a via láctea gira em torno dele, por isso suas vontades precisam ser atendidas. 

E muitas vezes, quando pequenas, eu as via olhar para ele, e imitando a Peppa, diziam entre sorrisos e brincadeiras: Eh, papai bobinho!

E por essas experiências e outras, eu fui aprendendo a substituir preocupação exagerada pelo bom humor, pelas brincadeiras, no nosso dia a dia. Hoje, depois de alguns anos de aprendizado, já me vejo fazendo piadinhas com as meninas e elas acabam me dizendo: mãe, você está igual ao papai.

E eu digo, no meio da diversão; ah, filha, isso mesmo. Estou aprendendo com ele! E sigo aprendendo, que o cuidado acontece também nos momentos de diversão.

E assim seguimos, buscando diversão e alegria para o nosso dia a dia.

Tenho 48 anos, com filhas de 17 e 14 anos.


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