Conselheiro Lafaiete, 16 de abril de 2025
Queridas leitoras e leitores, como vocês estão?
Por aqui, gostaria de aproveitar esta oportunidade para compartilhar uma reflexão sobre as brigas entre irmãos — algo que, honestamente, sempre me tira do sério… e desde sempre. Talvez por ter ouvido tantas vezes que irmãos não devem brigar, que devem ser amigos, sempre. E fico pensando na minha infância: não me lembro de brigar muito com os meus dois irmãos mais novos. Lembro, sim, de ceder quase sempre. Como naquela vez em que um deles quebrou meu dedinho e eu não reagi. No entanto, me recordo bem das brigas entre eles, e de meus pais repreendendo, e às vezes até dando umas palmadas.
Hoje, sou mãe de duas adolescentes. Quando elas eram pequenas e começavam a brigar, eu intervinha imediatamente para evitar que a situação piorasse. De alguma forma, as coisas se resolviam — pelo menos para mim. Costumava tomar partido, julgando quem estava certa e quem estava errada, sob meu ponto de vista. Mas hoje me pergunto: será que eu era justa? Muitas vezes, aquela que se colocava como vítima e santinha tinha, sim, seu jeitinho de provocar o confronto — fosse com um olhar ou uma cutucada, geralmente despercebida por mim.
Com o tempo, compreendi que, de fato, quando um não quer, dois não brigam. E que ambos têm responsabilidade. Aos poucos, fui entendendo que os conflitos fazem parte da convivência. Que elas precisavam, sim, ter espaço para se posicionarem, expressarem suas opiniões e buscarem soluções juntas. E quando não conseguissem, deveriam saber que poderiam pedir ajuda.
Nesse processo de aprendizagem, percebi que é natural que nem sempre concordem nos combinados e acordos. A relação entre elas vai oscilar entre recuar e avançar, ceder e cobrar. Me esforço para demonstrar minha confiança na capacidade das duas de se posicionarem e, ao mesmo tempo, encontrarem juntas uma solução através do diálogo e da negociação.
Ainda assim, às vezes preciso intervir — e muitas vezes me sinto confusa quanto ao melhor momento. Tenho a tendência de deixar que resolvam sozinhas, enquanto me corroo por dentro. Tenho tanto medo das brigas que, às vezes, confundo brincadeiras com discussões. E então elas dizem: “Mãe, a gente estava brincando!”. E quando finalmente relaxo, o que era brincadeira vira discussão acalorada, com tom de voz elevado, insultos e lágrimas.
Procuro entender que tudo isso faz parte do crescimento delas — e do meu também. Sei que temos nossos limites, mas a verdade é que as brigas entre elas ainda me provocam um grande desconforto. Fico impaciente, nervosa, com vontade de sair correndo e só voltar quando tudo estiver resolvido.
Compreender esse aprendizado é, para mim, um grande desafio. Mas sigo firme na tentativa de não desistir da comunicação. E, mais importante ainda, sigo incentivando-as a não desistirem uma da outra — mesmo no auge de uma discussão.
O desgaste existe, o desconforto permanece. Há quem diga que é normal, mas eu verdadeiramente acredito que, ao normalizarmos esse tipo de situação, corremos o risco de normalizar a violência. Talvez, o desconforto — na forma de tristeza, frustração, raiva, impaciência ou até insônia — precise mesmo existir. Para que possamos buscar, viver e praticar formas pacíficas de resolver conflitos entre irmãos.
Com muita confiança, me despeço.
Tenho 48 anos e sou mãe de duas adolescentes, de 16 e 14 anos.
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