Conselheiro Lafaiete, 12 de setembro de 2024
Olá, como você está hoje? Parada ou movimentando?
Hoje me senti com vontade de compartilhar mais um pouco da minha relação com a minha mãe. E vou ilustrar, em um momento que foi bem difícil para mim, na época da minha formatura de faculdade. Acredito que existem momentos na vida da gente, que por mais que tenhamos apoio, ajuda, a solidão emerge e inunda o nosso ser. E um dos primeiros momentos em que senti isso, foi quando estava finalizando a minha graduação.
Um período de uma mudança de ciclo iminente, marcada por importantes tomadas de decisões, que precisavam ser feitas e assim, inevitavelmente a solidão veio me fazer companhia. Momento em que algumas questões precisavam ser pensadas e executadas de forma individual. Lógico, que ter apoio ajuda demais, mas são questões de cunho pessoal. Fico pensando como ter liberdade, pode ser, em um algum aspecto, tão angustiante, né? E este foi um período de muito conflito interno. E como já disse, rede de apoio, não me faltou, minha família, meu namorado (que hoje é o meu marido), amigos, super presentes. Mas nada foi o suficiente para aliviar, da forma que eu desejava, a angústia por um término de ciclo e início de outro.
Então, vinham várias sensações e a insegurança que me fazia querer desistir de tudo. Enquanto compartilhava essas incertezas com a minha mãe, ela me dizia:
– Tá certo, filha, entendi. Você acha que não é isso que você quer, né? Me conta, o que você quer?
E é claro, que naquele momento, eu respondia.
– Não sei, mãe. Não sei o que eu quero.
Então ela me dizia:
– Filha, sugiro você continuar neste caminho, não parar, não desistir, enquanto procura outro. Assim que o achar, você muda o seu trajeto. Continue movimentado, filha.
E assim eu fiz. Continuei e deu certo, me formei, me senti reconhecida e realizada na profissão que havia escolhido e 18 anos depois, mudei de carreira…
No ano passado, ao celebrar o centenário da minha avó materna, lhe perguntei:
– Ei vó, qual é o segredo para chegar aos 100 anos lúcida e saudável?
E ela me disse:
– Não fique na cama. Levante-se e movimente.
E então, me lembrei das conversas que tive com a minha mãe lá no passado. Movimente. O movimento te ajuda nos momentos de incerteza e de angústia. Por mais difícil que seja, levante da cama e se movimente.
Avaliando o mundo de hoje, com a valorização do esporte, das academias, do movimento, me pego pensando, quão sábia são as mulheres da minha família. Que eu consiga fazer a minha parte nesta construção.
Com o coração esperançoso, e repleto de amor e admiração por essas mulheres potentes, me despeço
Tenho 47 anos, minha mãe tem 77, minha avó materna tem 100 anos e minhas filhas 16 e 14 anos.
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