Conselheiro Lafaiete, 02 de agosto de 2024
Olá, como você está agora, neste momento? Sim, você que está lendo ou ouvindo essa carta?
Eu, geralmente, quando escrevo, encontro-me bem reflexiva. Eu sou uma mulher apaixonada pelo ser humano e sua capacidade de aprender e de se posicionar. Acredito muito que precisamos aprender a falar, mesmo que a nossa opinião seja contrária à das pessoas.
Eu procuro fazer isso, na medida do possível e do meu limite. E estimular as minhas filhas a fazerem o mesmo. E venho compartilhar uma experiência que me deixou perplexa e ao mesmo tempo muito orgulhosa.
Estava fazendo um lanche dentro do carro com a minha filha, quando passou uma pessoa pedindo dinheiro. Eu informei que dinheiro eu não daria, mas se ele estivesse com fome, eu dividiria com ele o meu lanche. Ele disse que estava satisfeito e que precisava mesmo era de dinheiro, se despediu e foi embora.
A minha filha, que estava do meu lado e presenciou o fato, geralmente em situações como essa, ela se sensibiliza e pergunta muito, desde muito pequena. Já quis saber o porquê de existirem pessoas nesta situação, e geralmente conversamos sobre isso e sobre minha postura e meu comportamento nestas ocasiões. Eu acredito que ela já tinha pensado muito a respeito, pois quando ele foi embora, ela me disse:
Mãe, entendo que você não queira dar dinheiro para ele, pois tem receio, que se ele tiver algum vício, a sua ação estimule o vício dele. Mas, eu penso diferente. Primeiro, pode ser que ele precise do dinheiro para outras necessidades, como transporte, moradia, sei lá.
E pode ser que ele realmente tenha um vício. Fazer o que, né? Isso é com ele e seu ato, neste momento, não resolverá este problema. E se tiver, ele vai buscar alguma maneira de saciar a própria necessidade com o vício. E fico pensando, que se ele não conseguir o dinheiro pedindo às pessoas, pode ser que ele tenha mesmo é que usar a violência como roubar, por exemplo. Então, mãe, quando eu tiver o meu próprio dinheiro, acho que vou doar quando passar por uma situação como essa no futuro.
Sabe quando o computador trava e aparece uma tela azul. Foi assim que me senti, travada, perplexa.
Perplexa por ter sido apresentada a um ponto de vista que eu não tinha pensado a respeito, de forma muito clara e estruturada. Também, por perceber, neste momento, a maturidade da minha filha em pensar diferente de mim. E acima de tudo, muito orgulhosa, por perceber que, neste caso, minha filha se sentiu confortável e segura, de falar de forma respeitosa e consistente, a sua opinião, mesmo que contrária à minha.
Quando passou alguns segundos, olhei para ela e disse:
– Verdade, filha, é uma abordagem!
Sei que, agora, quando estiver nesta mesma situação, terei outros aspectos a considerar, e não sei mais, qual será o meu comportamento.
Me sinto feliz, pois são nesses pequenos momentos, que sinto meu mundo expandir e com as novidades que o adolescer das minhas filhas trazem para mim. E hoje, li uma frase que resolvi compartilhar: “Levante suas palavras, não sua voz. È a chuva que faz as flores crescerem, não o trovão” Rumi
Sinta meu afeto,
Tenho 47 anos de sou mãe de duas adolescentes, com 16 e 14 anos
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