Conselheiro Lafaiete, 02 de agosto de 2024
Olá, como você está hoje?
Hoje acordei pensando em como as nossas diferenças pessoais dificultam nossas relações. Pensar em empatia no contexto de tratar os outros como você gostaria de ser tratado. Vou exemplificar…
No período da copa do mundo, uma das minhas filhas resolveu entrar na brincadeira de completar álbum da copa com figurinhas. No primeiro dia, ela chegou em casa com o álbum e os primeiros pacotes com as figurinhas, ficou um tempo abrindo os pacotes e completando o álbum. Assim que ela terminou, me procurou para me mostrar o resultado desse trabalho. E adivinhem, chegou perto de mim, toda feliz, me mostrando uma pilha de figurinhas repetidas. E disse, olha mamãe, que legal, quantas figurinhas eu tenho repetidas.
Eu achei aquilo meio estranho, né? Ela feliz com o tanto de figurinhas repetidas? Como assim? A minha expectativa é que ela me mostraria o álbum já com as figurinhas coladas, ou seja, o resultado do trabalho, sob minha ótica, seria álbum completo. Então, me contive e pensei, por que será que ela está tão feliz com as figurinhas repetidas?
Então, meio assim, sem graça, perguntei a ela: Uai, filha, bacana, mas porque você está tão feliz com as figurinhas repetidas?
E ela me disse: pois assim, mamãe, posso trocar com os meus amigos.
E neste momento eu compreendi. O objetivo principal dela em ter o álbum, não era para completá-lo, e sim para relacionar-se com os amigos.
Pensando nisso, me veio a importância de entendermos melhor o significado das pessoas fazerem o que fazem e a diferença entre elas. Neste caso, minha filha, quis ter o álbum de figurinhas, para ter um motivo para relacionar com os colegas. Uma maneira de pensar diferente da minha, pois eu imaginava que ela tinha que ter o álbum para completá-lo, pois para mim é importante terminar as tarefas que começamos, mesmo que seja um hobby. Mas para que essa cobrança toda, né?
E aí, eu pensei como foi bom perceber isso no primeiro dia e como isso reduziu os nossos conflitos. E quando, eu olhava para o álbum e pensava no automático, temos que completá-lo, e então eu parava e me perguntava em pensamento:
“De quem é mesmo o álbum, hein, mamãe?”
“Qual é mesmo o significado do álbum para a dona dele?”
E nosso diálogo fluía de outras maneiras e eu passei a me interessar e perguntar para ela, não a respeito do objeto, como figurinhas e o álbum, e sim como foram os momentos de troca. Com quem ela tinha trocado? Quais foram as maneiras que as trocas aconteceram? Se ela ainda tinha figurinhas, para haver novas trocas e assim sucessivamente.
Essa experiência me ajudou a conhecer um pouco mais a minha filha, um pouco mais sobre mim e um pouco mais sobre empatia. A importância de tratar os outros como eles gostariam de ser tratados e não como eu gostaria de ser tratada. Afinal, temos nossas diferenças e elas fazem toda a diferença.
Com esperança, me despeço.
Tenho 47 anos e sou mãe de duas adolescentes de 16 e 14 anos.
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