Conselheiro Lafaiete, 19 de junho de 2024
Querida mãe,
Essa semana estava assistindo a um filme brasileiro e teve um diálogo muito curioso entre uma mãe e uma filha jovem. Neste diálogo, a mãe questiona o fato de a filha não conversar com ela e a filha retruca dizendo:
Mãe, não é sobre você, é sobre mim.
A mãe, portanto, fica indignada e pergunta: você acha que eu não me preocupo com você? Eu me preocupo sim.
E ela responde algo assim: Você se preocupa comigo, mas não tem uma relação comigo. Além de estar sempre reclamando da vida!
Me conta aí, você, como eu, também se sentiu tocada por esta fala? Me identifiquei e veio a mente, algumas situações que eu vivi e ainda vivo no meu dia a dia, que me remete a essa passagem. Como um dia em que minha filha veio me contar algo que aconteceu na escola e a deixou desconfortável e eu, nem a ouvi direito e já fui logo tentando resolver a questão, buscava soluções, quando ela nervosa, me disse:
Mãe, não vou contar para você mais nada. Não vai adiantar mesmo. Queria somente que você me ouvisse.
Ou outra situação em que minha outra filha disse: mãe, será que algum dia, você poderia me apoiar, simplesmente me ouvindo?
Quantas vezes a nossa preocupação extrema, nossa ansiedade, nossa impaciência nos leva para a falta da relação. E tão curioso, pois em outros contextos, eu procuro esse mesmo espaço de escuta e relação. Muitas vezes, na relação com o meu marido, onde eu me encontro neste outro papel, buscando a relação e o entendimento em detrimento de algum desconforto meu, e eu acabo estimulando a dele, levando-o a dar sugestões de soluções para o problema, que às vezes nem eu compreendi direito.
Ao assistir esse filme, eu tive a oportunidade de perceber como às vezes, a preocupação nos afasta da relação, e me conduz a comportamentos contraditórios daqueles esperando por mim, quando estou me sentindo triste, frustrada, desconfortável, vulnerável. Buscando, de uma forma geral, a relação, que passa por ser ouvida sem julgamento, ser compreendida mesmo que não haja a concordância, construir e usufruir de ambiente seguro. Muitas vezes para falar, encontrar apoio, organizar pensamentos e ideias pela oralidade.
Assim, contraditória, me despeço.
Tenho 47 anos, sou mãe de duas adolescentes com 14 e 16 anos.
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