Conselheiro Lafaiete, 02 de maio de 2024
Oi gente… Hoje eu que preciso fazer um desabafo…
Hoje venho compartilhar algumas reflexões. Há uns dias, ouvi de uma mãe dizendo que a percebia que a filha era muito imatura, ingênua quando comparada a uma criança da mesma idade. Esse fato me chamou a atenção e me provocou as seguintes reflexões: será que ela está dizendo mesmo a respeito da filha ou dos próprios comportamentos que levaram a filha a ser imatura? Me pareceu que essa mãe, em nome do amor e da proteção, estava em algumas situações, inibindo o amadurecimento da filha e talvez sentindo-se culpada por isso.
Esse pensamento emergiu a partir inclusive das minhas atitudes e pensamentos. Até quando a minha necessidade de proteção e cuidado com as minhas filhas, as limitam ou as impedem de viverem suas próprias experiências, que teriam como consequência o desenvolvimento do próprio amadurecimento, a ponto de eu considerá-las imaturas. E ao fazer isso, qual mensagem acabo passando para elas sem querer? Esses pensamentos ficaram assim, em um cantinho guardado sem nenhuma conclusão. Até que…
Ontem, vieram uns amigos de uma das minhas filhas aqui em casa para uma tarde de jogos. Eles conversaram e planejaram o encontro. Eu os ajudei a organizar e a decisão foi de que o lanche seria cachorro-quente.
Assim que eles chegaram, eu animada por estarem todos aqui em casa, fui lá e perguntei a eles se queriam que eu fizesse o molho para o cachorro-quente enquanto eles se divertiam jogando… e sabem qual foi a resposta? Eles disseram tanto faz. Tanto faz, me pareceu muito vago. E eu perguntei de novo e a resposta foi: podemos fazer. Eu queria deixá-los tranquilos jogando enquanto eu preparava o lanche, mas me pareceu que eles queriam fazer o próprio lanche.
Neste momento, minhas reflexões vieram à tona. E me vi no lugar de uma mãe superprotetora. Então, guardei a minha vontade de agradar, saí da cozinha e dei espaço para elas vivenciarem a experiência de preparar o próprio lanche com os amigos. Como diz o meu pai, me recolhi à minha insignificância e me afastei por um tempo. Quando voltei, dar aquela olhadinha de mãe, eles estavam lá, conversando e cozinhando. O que me chamou a atenção também foi ver os meninos picando os legumes e as meninas ao redor conversando. Me encanta ver, nos pequenos detalhes do dia-a-dia, as pequenas mudanças nas relações sociais. E no final, deu tudo certo e ficou uma delícia.
Me lembrei também de outra oportunidade que houve aqui em casa na ocasião de uma festa do pijama. Quando perguntei às amigas ao irem embora, o que mais elas gostaram, a resposta presente na fala da maioria foi: fazer bolo.
Voltando ao meu pensamento inicial, mantenho-me reflexiva: será que estou proporcionando às minhas filhas a oportunidade delas vivenciarem as próprias experiências, ou busco fazer por elas? E quando faço por elas, coisas que elas já têm capacidade de fazer, qual mensagem acabo passando sem querer? Talvez seja: vocês não são capazes e é por isso que a mamãe faz para você. Introspectiva me despeço.
Tenho 47 anos e sou mãe de duas adolescentes, com 15 e 13 anos.
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