Conselheiro Lafaiete, 25 de fevereiro de 2022
Querida mamãe,
Espero que esteja bem e em paz. A pré-adolescencia das minhas filhas a cada dia, me estimula a me desenvolver, a me entender para tentar também entende-las e apoiá-las… Neste movimento de aprender, desaprender e reaprender, como diz o famoso futurólogo Alvin Toffler.
Trago esse assunto de forma bem específica para o pedido de colo, pedido de acolhimento. Quando elas eram pequenas, era muito fácil compreender quando elas precisavam de colo. Quando eram bebês, elas estendiam as mãozinhas e faziam aquela carinha do Gato de Botas do Shrek, sabe? (olhos caídos, corpo encolhido, carinha de dó). Aí, quem era eu para resistir, né?
Depois que aprenderam a falar, ficou ainda mais fácil, elas pediam:
– Mamãe, quero colo!
Foi até melhorando, na verdade. E eu acredito que conseguia compreender as necessidades delas e buscava fazê-las da melhor maneira possível, as vezes, até beirando o impossível.
Porém, com a chegada da adolescência, as estratégias que elas passaram a usar foram ficando mais, hum, digamos de uma maneira mais polida, desafiadora.
Percebi que elas, agora, me criticam com muita frequência e de forma muito incisiva, tons de voz mais altos, palavras fortes, julgando todos os meus comportamentos, de uma maneira ou de outra. Não importa o que eu faça, vem sempre uma crítica.
Outras vezes, se isolam. Ficam muito tempo isoladas nos seus quartos. Outras tantas vezes buscam esse isolamento via telas, celulares, computadores.
E outras vezes ficam agressivas mesmos, gritando e se irritando em situações cotidianas que antes eram vividas de maneira tranquila. Fica difícil acompanhar.
E as crises de choro. Choram e choram…
Acontece que esses comportamentos, refletiam e as vezes ainda refletem em mim como ameaças e eu reagia e as vezes ainda reajo no susto, na mesma medida. Se a crítica vinha, ela voltava… Isolamento pra cá, isolamento pra lá. Se a agressividade aparecia, ah, nesse caso eu voltava a me isolar, por puro medo da minha reação. Agora se o choro aparecia, hum, aí eu ignorava.
O que foi resultando em nosso afastamento e a permanência e o aumento desses comportamentos. Mas aos poucos, estudando, e observando-as com mais amor e menos raiva, menos julgamento e mais curiosidade, eu passei a observar e adivinhem só o que eu geralmente acho lá no fundinho…
Um desesperado pedido de colo.
Quando eu as acolho, aquele monstro (pois elas viram uns monstros difíceis de reconhecer) desaparece e surge uma menina carente de colo. O semblante se transforma, como se quebrasse toda aquela proteção e deixasse aparecer a menina vulnerável, carente, frágil.
E esse pedido de colo, pode ser preenchido de várias formas: as vezes o colo literalmente, as vezes uma atenção, um par de ouvidos, um abraço, uma companhia, um estar pertinho, uma presença, um toque, palavras do tipo: estou aqui, como posso te ajudar?
E assim, juntas, vamos descobrindo novas e diferentes estratégias de dar e receber colo.
Neste clima de descoberta, me despeço,
Nívea Viana, mãe de Isabela Cristina (13 anos) e Maria Luisa, 11 anos) .
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