Petrópolis, 16 de fevereiro de 2022
Escrever sobre a maternidade com os meus 51 anos, 27 anos de casada e os filhos jovens, um com 18 anos e o outro com 21, me parece mais difícil. Primeiro porque já não vivo as fases que muitas mães enfrentam nesse momento, os questionamentos já não são os mesmos.
Mas o desafio de escrever sobre a maternidade e falar para mães me traz a memória períodos marcantes e que muito me ensinaram.
Filhos não são iguais, e temos que aprender a lidar com as características de cada um. Meu primeiro filho mamava e dormia, o segundo chorava até não ter mais fôlego para chorar. Um mais extrovertido, o outro mais centrado. Conviver com cada um quebrou um paradigma de tratar os filhos da mesma maneira. Ainda ouço hoje…. – “Mas eu dou a mesma educação”. Princípios devem ser os mesmos, mas a maneira de abordar, trabalhar isso na vida dos filhos é diferente. Limites são necessários, mas eles diminuem para aqueles que amadurecem mais rápido, ou conseguem compreender e colocar em prática mais facilmente. Porém esse assunto daria uma aula, e essa não é a nossa proposta.
A maternidade me ensinou que vale a pena ser insistente em plantar boas sementes no coração dos nossos filhos e acompanhar cada detalhe.
Quando tive o primeiro filho decidi renunciar ao meu emprego e ser mãe de tempo integral. Outra questão emblemática! A decisão veio com questionamentos externos e internos. Externos pois a sociedade ainda tem um peso em ditar as regras do que temos ou não fazer. Internos, pois, apesar de ter a certeza de que cuidar dos meus filhos era importante para mim, ainda me incomodava com as cobranças de ser uma mulher no mundo do trabalho.
A maternidade me ensinou que podemos fazer diferente, aproveitar tudo de bom que nossos pais nos ofereceram e abrir um espaço para novas maneiras de educar.
A maternidade me ensinou que a convivência é indispensável. Um tempo, um jogo, um filme, um passeio, uma viagem, uma brincadeira junto fortalecem a convivência, a confiança e o amor.
A maternidade me ensinou que jamais saberei tudo a respeito dos meus filhos, mas que preciso sempre estar pronta para ouvi-los. Aconselha-los e orientar a fazer as melhores escolhas.
A maternidade me ensinou e ainda me ensina a ser para os meus filhos aquilo que desejo que eles sejam.
A maternidade me ensinou que não existe uma receita pronta, um passo a passo que sirva para todas as mães e filhos. Mas eu aprendi que quanto mais valores, regados com amor, envolvidos pela verdade são combustíveis para fortalecer o relacionamento.
Foi assim que passei pela infância e adolescência dos meus filhos e me sinto realizada, feliz. Não porque tenho filhos perfeitos, mas porque entre pessoas imperfeitas aprendemos que precisamos uns dos outros e que família é um bem precioso.
Mônica Fioravanti, 51 anos, mãe do Filipe 21 aos e do André 18 anos.
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