Curtir momentos é perder tempo?

Conselheiro Lafaiete, 10 de fevereiro de 2022

Querida mamãe,

Espero que você esteja bem e em paz. Hoje sento para escrever a primeira carta do ano. E me pego recordando um episódio que aconteceu no fim do ano passado, quando levei as filhotas para verem as luzes de Natal.

Perguntei:

– Filhas, vocês querem tirar fotos da iluminação? Está tão linda!

E elas disseram:

– Não, mamãe, obrigada. Hoje só queremos curtir o momento.

Assim, a simplicidade das palavras das minhas filhas me levou a refletir mais uma vez, como estou curtindo os momentos do meu dia-a-dia, principalmente quando estou com elas. Sabe, muitas vezes tenho uma necessidade enorme de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Então simplesmente parar para curtir o momento, no primeiro instante, me parece perda de tempo. É preciso fazer algo, nem que seja fotografar.

Conscientemente acredito verdadeiramente que ficar com elas e curtir o momento, não é perda de tempo. Acontece que a rotina e os compromissos diários me levam para um funcionamento automático e quando assusto vem a mensagem de que estou perdendo tempo. Instantaneamente surge na minha mente uma lista de afazeres que intensificam ainda mais essa sensação. Como assim parar tudo e curtir o momento? Eu não posso. Passam os dias, os meses e eu perco a oportunidade de curtir mais momentos com elas. E é muito louco, pois alguns desses momentos duram apenas minutos.

Sabe, desde muito cedo, ouvia a minha mãe dizer:

– Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.

Mas a questão, é: sempre haverá o que fazer, não é mesmo? Então, eu estou aprendendo a desencanar um pouco e deixar sim, algumas coisas para o amanhã e até avaliar a importância ou não de fazer outras coisas. Sabe, aliviar a agenda e os compromissos para curtir mais os momentos. Entender o que é essencial.

Lembro que quando elas eram menores, era super fácil sentar no chão e simplesmente ficar com elas. E a gente se divertia. Talvez no pensamento que criança pequena precisa de brincar, de atenção. Mas com o passar do tempo, eu tive a falsa ideia de que elas não precisavam mais desse tempo, já estavam grandinhas… O que elas precisavam mesmo, era fazer coisas: estudar, ler, fazer o dever de casa, participar das tarefas domésticas, se ocupar de alguma forma, ser independente. Como se curtir o momento comigo não fosse uma ocupação importante. E assim, esses momentos foram perdendo espaço na minha agenda. E de alguma forma fomos nos afastando. Hoje, me dedico a curtir algum momento com elas com mais frequência. E muitas vezes, me perco novamente, e quando assusto estou só fisicamente, pois a cabeça está em outro local. Aí, elas me dizem:

– Tá tudo bem, mãe. Vai fazer as suas coisas!

Então percebo que tropecei de novo…

Outras vezes, é o contrário. Eu me proponho a ter um tempo com elas e elas negam. Aí eu simplesmente peço:

– Beleza, filha, mas posso ficar aqui do seu lado curtindo a sua presença por alguns minutos?

E assim, vamos tentando nos equilibrar… Sempre com a confiança que durante esse ano conseguirei avançar um pouco mais nesta direção. E assim, esperançosa, me despeço.

Nívea Viana, 44 anos, mãe de Isabela 13 anos e Maria Luisa, 11 anos. 


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