Ouro Preto, 04 de novembro de 2021
Difícil falar disso…
Afinal até agora pouco, ele ainda se encontrava vazio. É muita honra eu ter ficado grávida. Sonhos realizados com muito amor, gerando filhos fortes, emponderados, que seguem as suas próprias vidas. Co- criação: Papai do Céu, Jesus Cristo e Maria sabem o que fazem, e vem nos fazendo fazer, ter escolhas, apreendendo.
Acredito, desde que pus meus filhos, no mundo, eu abri a “caixinha” do ninho vazio. Afinal a gestação, que era meu útero crescendo – o meu ninho perfeito! – Que ao parir, deixa a vida fluir e essa sensação de falta algo vinha me acompanhando … As vivências foram únicas e muito fortes, várias histórias para contar de como cantamos juntos, vibramos com cada movimento. Um dia conto um pouco mais, ainda são claras na minha memória, mesmo passando tanto tempo, a Anna Carolina já tem 33 anos e o meu caçula Alexandre já está com 31 anos…
Precisei passar por muitas experiências, inclusive terapias de várias formas em busca (eterna) da minha essência… E entender realmente que nossos filhos são nossos no período provável de *548 dias* (a gravidez + os primeiros seis meses de vida) e a partir daí é, são, do mundo… Claro sob cuidados durante toda a infância e adolescência e depois (se tudo correr bem), já achamos que podem voar, alcançar outros ares…, mas apenas mudamos o nosso ninho…
Antes mais parecia com a casa do pássaro João de Barro e passa a ser um ninho de águia, onde acreditamos que ensinamos eles se soltarem mas ficamos de olho, rondando e prontos para segura- lós com nossas garras a qualquer momento. E o tempo passa, a dor do ninho vazio fica ainda mais forte e, se deixar caímos em depressão.
Síndrome? Sim, um conjunto de “coisas” que não sabemos bem o que é, sentimos e pontuamos vários cortes, o ninho se esvaziando, cito alguns desmames: – Quando paramos de amamentar, – o primeiro adeus – primeiros dias de aula, – as escolhas de roupas, – primeiro namoro, – ida para a universidade, – quando saem de casa pela primeira vez e todas as vezes…afinal a nossa missão de criar já foi concluída, e agora?
Nossos filhos já fazem suas próprias escolhas (sem olhar 👀 para traz…). O mundo pequeno se expandiu, fomos para o espaço. Não temos mais certezas e abrir mão dessas certezas, desses controles, faz a vida fluir, transbordar dentro de nós. São escolhas! Não tem certo, nem errado, sem julgamentos, aceitar sejam elas diferentes ou não. Parar de brigar, são só escolhas de cada um, de cada indivíduo e são todas lindas!
Começo-fim-recomeço é o nosso movimento em busca do equilíbrio…
E nesse ninho o que existe? Transformação! O ninho já não está mais vazio, ou melhor ele já não existe da mesma forma…
Agora! Ah! Agora só existe o *coração* ❤️ que vê cada um dos filhos, independente do caminho escolhido; que acolhe, apoia e abençoa essas minhas crias tão amadas e que deixo seguirem o fluxo do destino de cada um (a).
Está tudo certo! O amor segue o fluxo!
Carinhosamente,
Cleia Costa Barbosa, 61 anos
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E como é difícil compreender que o ciclo começo, fim, recomeço. Esse ciclo que está sempre presente nas nossas vidas… Mas o fato, é que mesmo sem compreender, ele está aí, sempre conosco. As vezes imagino que o que me causa mais sofrimento é o apego e a ansiedade. Muitas vezes deixei de viver o meu ciclo presente com as minhas filhas, por ansiar o próximo, e quando o próximo ciclo chegou, me apeguei ao antigo por não tê-lo vivido plenamente. Escrevendo assim, parece mesmo loucura, mas no dia a dia, as vezes, torna-se tão naturalizado. Tia Cléia, obrigada por trazer a importância de refletirmos a respeito dos ciclos…