Congonhas, 03 de novembro de 2021.
E aí, como é ou foi ficar em casa com três filhas em trabalho remoto? Por mais de uma vez eu escutei essa pergunta. Assim, resolvi relatar esse momento nesta carta.
Em fevereiro de 2020, finalizei o período de férias e licença maternidade após o nascimento da Núria. Desse modo, presencialmente, retornei ao trabalho. O “clima” no meu setor não estava dos melhores e não conseguimos reparar ao entrar em trabalho remoto.
Na segunda quinzena de março, a pandemia nos colocou em casa. Apenas meu esposo continuou trabalhando fora. E nesse mesmo período, tivemos que nos despedir, de forma inesperada, do meu cunhado e compadre. Que dor! Tristeza, susto, medo, eram os sentimentos mais presentes aqui em casa, como, imagino que foi em milhares de casas brasileiras e do mundo.
Após 15 a 20 dias do início do isolamento é que a escola da Elis começou a ter aula síncrona e depois de um tempo, a escola da Olga e a creche da Núria começaram a ter aulas de forma assíncrona, pelo Whatsapp.
Até organizarmos um quarto para as meninas estudarem, as aulas eram realizadas na sala de jantar. Elis aprendeu rapidamente a entrar nas aulas. Logo, eu só monitorava se conseguia acompanhar direitinho. Já a Olga, eu tinha que sentar com ela e ensinar as atividades propostas pela professora, tirar foto e encaminhar. As atividades da Núria eram feitas, muitas vezes com Elis. Esse processo ocorre até hoje, pois devido a logística, optamos por continuar com as meninas em casa. Apenas creche ainda não autorizou o retorno do maternal I.
Em 2020, com tantas incertezas sobre o COVID 19, ficamos sem a babá e a faxineira. Eram apenas nós cinco e dois cachorros. O nosso isolamento foi feito da seguinte forma: marido saía para trabalhar, eu ia apenas no supermercado, as meninas saiam no máximo até o quintal. Por poucos momentos, visitamos meus sogros. A partir de junho, passamos a ir para roça onde encontrávamos somente a família de um dos meus cunhados. Uma única vez, visitamos minha família em Ponte Nova, pois estávamos em onda verde. Assim, o contato com familiares e amigos foi apenas por telefone.
Buscando distrair as meninas, fizemos diferentes tipos de brincadeiras, gincanas, jogos, banho de mangueira, novos pratos de comida, pintamos, cortamos e trançamos os cabelos, assistimos filmes e as diversas lives na televisão. Ainda tinha os mesversários da Núria, que era um momento de muita criatividade, com fantasias e fotos. A nossa cachorra gerou filhotinhos, para meninas eram uma diversão.
E como eu trabalhava? Meu horário já não era fixo. Trabalhávamos conforme as demandas e reunimos em diferentes horários. Quando eram reuniões remotas, Elis ou Thiago ficava com as meninas mais novas. Atividades que eu poderia fazer no computador, eu realizava quando Núria dormia ou, acordava de madrugada ou dormia mais tarde. Por vezes, fiz reuniões no celular enquanto desenvolvia alguma tarefa doméstica, amamentava, trocava fralda ou ensinava um dever para as meninas. Algumas coisas ainda continuam.
Ainda com esse ritmo, inventei de fazer um curso à distância: Licenciatura em Pedagogia. Como era minha segunda licenciatura, o período era menor do que as graduações normais – um ano e meio. Se tudo der certo, finalizo no fim deste ano.
Em outubro de 2020, Thiago quebrou um dedo do pé e ficou 30 dias de atestado médico. Que coisa boa! A parceria foi bem forte nesse momento, o que me deixou mais leve e as crianças felizes, por ter o pai com mais tempo e exclusivo para elas.
Finalizamos 2020 com as festas de fim ano em nossa casa, diferente dos anos anteriores que passávamos juntos com toda a família. Já em 2021, tivemos o retorno da nossa ajudante da limpeza de casa e da cuidadora das meninas. A babá ficou por um tempo, pois, conseguiu um novo emprego e teve que sair. Porém, na medida do possível, mantivemos a rotina como se ela estivesse aqui: estudo da Olga no período da manhã, Elis participa das aulas á tarde e eu, trabalho á tarde. Somente, as reuniões ocorrem em momentos diversos, só que com o “clima” bem melhor agora. Ufa!!!
Com os amigos que chamamos de “aglomeráveis”, fizemos alguns passeios pela natureza aqui perto. Quando não tinha muita gente, as meninas puderam brincar no final da nossa rua e no campinho do bairro.
Resumidamente foi e tem sido assim. Com choro, grito, risadas, surtos, danças, brinquedos para todo lado, casa limpa e arrumada quando dá, alguns quilos há mais…Mas principalmente, com fé e esperança estamos caminhando juntos! E para relaxar: chá, café, vinho e longas conversas por telefone com amigas e familiares.
Paz e bem para vocês.
Um abraço,
Giséle, mãe da Elis Indira, 9 anos, Olga Niara, 6 anos e Núria Dandara, 2 anos.
GOSTOU DA CARTA E QUER ENVIAR UMA PRA GENTE?
Descubra mais sobre Diário da Mãe em Construção
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.