Ser mãe sendo filha de uma supermãe

Ouro Preto, 08 de setembro de 2021.

Hoje, dentro da minha saudade, lembrei-me do dia que comuniquei a minha mãe, sempre e eternamente presente, que estava grávida.

Sempre precisei de cuidados médicos. Sou resistente, pois sempre supero minhas enfermidades, mas para minha mãe eu era frágil e ela insistia intensamente para fazer-me forte.

Sempre que tinha uma nova infecção, falta de ar, mais cálculos renais ou a febre aumentava eu me sentia arrasada, era como se estivesse decepcionando a minha mãe, mas ela insistia mais e mais. Era uma fortaleza, não só comigo, em todos os sentidos. Ela vencia as dificuldades com um sorriso largo e contagiante, fé inabalável. Porto seguro de toda família, das amizades e de quem se achegasse. Ela era além do seu tempo: acolhia os mais velhos e encantava aos jovens com sua mentalidade inovadora. Foi assustador, para a filhinha de uma supermãe e mulher, dizer que em breve também se tornaria mãe.

Assim que foi confirmada a gravidez, não pensei muito, nem falei primeiro com o espelho, como sempre fazia. Simplesmente cheguei e falei: – Estamos grávidos, a senhora vai ser vovó de novo. Risos, lágrimas e um abraço que envolveu todo meu corpo. Queria senti-lo agora, não é tristeza, só saudade. “- Que coisa boa, Suzi” – disse minha linda, e completou – “como serão esses oito meses de espera? Que Deus abençoe e dê saúde a minha filha e minha neta ou neto! Sob as bênçãos de Jesus e Maria foram oito meses de muita saúde e tranquilidade.

Tenho dois irmãos e cinco irmãs, todos nascidos em casa, com parteiras. Eu nasci no hospital. Parto difícil, dolorido. Fórceps. Fui retirada e não chorei. Ali começava a insistência da minha mãe, envolvida em muita fé e um amor incondicional. Resiliência. Durante a gravidez eu caminhava muito, trabalhei até o oitavo mês. Fiz tudo para ter minha filha de parto normal, mas não deu.

O tempo gestacional completou, não tive contrações, a bolsa foi rompida no bloco cirúrgico, cesariana. Minha filhinha, nasceu linda, grande e forte! Coisa estranha não ter mais dentro de mim aquele ser que tomou conta de todo meu abdômen. Queria chorar muito, mas não pude. “-Não pode ficar chorando durante o resguardo. Sua cabeça vai doer, não pode tornar remédio forte, por causa do leite…” À minha mãe… Ela deixou tudo e ficou comigo durante quinze dias. Vinte dias depois tive mastite. Precisei colocar um dreno. Ela sempre ao meu lado. O médico avisou que eu não teria condições de amamentar.  Que desespero! “- Nada disso! Deus é mais. Você vai amamentar a sua filha sim!” Céu e terra entraram em ação a pedido de minha mãe.

Duas semanas após a cirurgia o leite saia tanto dos mamilos quanto do dreno. Amanda se deliciava. Era um espetáculo vê-la durante a amamentação: um barulhinho gostoso parecia música, a luz de um olhar meigo e forte que se acabava no meu olhar e leite escorrendo da boca mínima até o pescoço. Quanta saudade.

Sempre quis ser meio igual a minha mãe. Acho que consegui, um pouco, pois minha filha, às vezes fala que quer ser como eu.

Suzana 


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Um comentário em “Ser mãe sendo filha de uma supermãe

  1. Quando engravidei da Isabela, também tive essa vontade louca de sair correndo para ir contar para a minha mãe… Acho que é isso , né tia Suzana, as vezes a gravidez pode ser encarada como uma forma de gerar orgulho para a mãe, por promover a continuação dos genes…

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