Valorizando o processo de cuidar!

Mariana, Novembro de 2021

Li essa semana o relato de uma mãe (Insta @rafabrites) sobre a ressignificação da sua visão sobre a ausência, ou diminuição, temporária da dedicação ao mercado de trabalho para uma dedicação mais plena e prazerosa à família. Ela disse: “Eu hoje valorizo minhas conquistas como MÃE como a de uma CEO, uma Best Seller, uma prêmio Nobel.”

Fazendo uma revisão da minha trajetória materna, enxergo o quão difícil foi para mim entender que eu não conseguiria mais fazer as coisas do mesmo jeito que fazia antes, especialmente no início, quando as mamadas eram de 15 em 15 minutos e todo o alento do bebê se dava no peito ou no colo. Lembro-me da sensação de liberdade que senti, quando, após meses grudada no meu filho, consegui dar uma primeira saída sozinha, pequena, mas cheia de significado!

Fico refletindo, passados 05 anos do seu nascimento e de tantas batalhas internas travadas para voltar a enxergar a minha individualidade, sobre o porquê da autocobrança feminina ser tão grande para tantas coisas. No afã de voltar a ser quem erámos antes, caímos na traiçoeira armadilha de não curtir fases tão especiais e únicas.

Graças a Deus, a troca com outras mães, que, felizmente, publicizam as suas experiências e aprendizados, fui reconsiderando internamente uma série de aspectos da centralidade de cada papel que assumo em minha vida, entendo que a cada época alguns deles se tornam mais preponderantes: às vezes é o de filha, às vezes é o de irmã, às vezes é o estudante e profissional, às vezes é o de mãe, às vezes é o de esposa, às vezes é o de amiga. Aqui não se esgotam todos e existem momentos em que eles se esbarram, se batem ou se fundem. E nesse entremeio, tenho tentado não esquecer das minhas necessidades, às vezes perdidas no mix de papéis, regados dos mais diversoas sentimentos! 

Um ganho essencial para mim foi o de dar mais valor ao processo de cuidar. Como mães sabemos o quanto essa tarefa é complexa, trabalhosa e cheias de novidades diárias. Afinal, cuidamos de seres humanos, com toda a complexidade que lhe é peculiar e sem os proformas do ambiente corporativo. Certa vez li um relato que dizia: “Meus filhos são os “chefes” mais rigorosos que tive na vida”.

Quando passei a dar o devido valor ao processo de cuidar, fiz as pazes com o meu lado que cobrava a baixa produtividade acadêmico-profissional no período (largo!) em que decidi: não colocar meu filho em escola integral, não retirá-lo do peito, não privá-lo do convívio (sem horários estritos) com amigos e pessoas da família. Essa foi a minha escolha junto ao meu companheiro e respeito todas as outras que sejam diferentes da nossa! 

E que delícia a sensação de entender a centralidade dos papéis em cada etapa… Entendo que, SIM, cuidar com amor e presença, dos que amamos é um bem inestimável que precisamos valorizar. Às vezes, não haverá o reconhecimento externo, mas nós mães precisamos, sobremaneira, entender a preciosidade e o valor disso…. É o primeiro passo para que os demais entendam.

Apesar de uma mudança individual, esse reconhecimento abre caminhos para que lutemos por um coletivo de mulheres cada vez mais conscientes da importância dos seus diversos papéis… Lutemos, assim, por representatividade nos diferentes setores e esferas, inclusive, naqueles que criam as leis, que protegem ou dificultam a inserção da mulher tanto no ambiente familiar, quanto fora dele. Como diz a @rafabrites: “Como é bom reconhecer a origem de nossos comportamentos e ter a coragem de revê-los e nos transformarmos.” A nossa transformação, mudará nossas atitudes, escolhas e relações, e elas mudarão o mundo!

Luciana Marques, 37 anos, mãe do Caio. 


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