Conselheiro Lafaiete, 09 de agosto de 2021
Querida Mãe,
Relembrando aqui hoje o período em que estava grávida… Ah… a gravidez.
Assim que fiquei sabendo que estava grávida da minha primogênita, parei com a bebida alcoólica e comecei a tomar ácido fólico. Fiquei toda animada e tudo começou a ganhar um novo sentido.
Relembro com muito carinho do primeiro ultrassom, que foi sensacional. Aquela emoção ao ouvir as batidas de um coraçãozinho tão pequeno, mas tão potente. A cada experiência, a gravidez tornando-se mais real. Lembro da expressão no olhar do meu marido ao sair do ambulatório, emoção pura evidenciada pelos olhos cheios d´água. Ainda tenho essa cena guardada em um lugar especial dentro de mim. Ele relatou que foi a primeira vez que ele efetivamente sentiu que iria ser papai.
Eu tinha um desconforto matinal constante nos três primeiros meses. Lembro que trabalhava no andar de baixo da cozinha industrial da empresa, e todo dia, por volta das 8 horas da manhã, sentia aquele aroma arrepiante de alho sendo refogado para preparar as refeições. Não conseguia suportar, dava um jeito de fugir do escritório e me refugiar por alguns minutos. Depois de uns 20 minutos, conseguia retornar e tudo retomava a sua normalidade.
Lia muito, via vídeos sobre os diferentes tipos de parto, ouvia músicas, gravava áudios com estórias que eu ouvia quando criança. O mais engraçado foi um CD de música instrumental que ao fundo continha sons que lembrava o barulho do útero materno… Imagina isso… Ouvia-o todos os dias e tinha a expectativa de que a neném lembraria e se acalmaria nos primeiros meses. Imagina isso, pura ilusão, pelo menos, aqui não funcionou.
Fomos nos organizando para receber nossa gatinha, pintura da casa, organização do quarto, móveis, e assim nos preparando para essa nova etapa das nossas vidas.
Lembro que na viagem em que a Isabela foi gerada eu estava lendo o livro “O caçador de pipas”. Lia-o de noite e no outro dia passava o dia inteiro recontando-o para o meu marido, detalhe por detalhe. E quando eu tive acesso ao filme inspirado no livro e fui assisti-lo já estava de cinco meses. Foi no Carnaval, estava na casa da minha mãe e na emoção do enredo, chorando muito, senti a Bela mexendo pela primeira vez na minha barriga. Essa história também fez história em minha vida.
Para mim, estava tudo transcorrendo bem e de forma natural. Não tenho maiores recordações de desconforto. Desde o início dormia super bem, até as vésperas do parto, o barrigão não me incomodava. O que acho interessante, até mesmo curioso, pois meu marido tem uma opinião completamente adversa da minha. Ele ainda hoje se lembra que as vezes não me reconhecia, tamanho a minha transformação, principalmente sob ponto de vista emocional. Diz que até poderia encarar mais uma criança, mas não sabe se seria capaz de conviver comigo grávida novamente. Será? Na dúvida, resolvi não insistir muito na terceira gestação.
Voltando a nossa primogênita, ela nasceu numa sexta à noite e entres “trampos e barrancos” deu tudo mais certo do que eu esperava. Após o parto, a enfermeira a trouxe para que eu a conhecesse e ao vê-la pela primeira vez, ela se aconchegou no meu pescoço. Justamente neste momento, pela primeira vez, choramos juntas. Um choro de alívio, de alegria, de amor, de conquista, de realização…
Eu só não sabia, naquele momento, que nos próximos dois meses, choraríamos tanto juntas… E na grande maioria das vezes, choros de desespero, de fome… Mas isso será conteúdo para outra carta… Nessa fico por aqui.
Abraços.
Nívea
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