Na sombra da dor, a busca pela luz

Conselheiro Lafaiete, 22 de abril de 2025

Olá,

Eu estou recuperanda da APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, ala fechada) e venho falar um pouco das minhas dores e dificuldades.

Tenho 50 anos. Sou do interior de Minas e fui embora da minha terra, onde nasci, aos 16 anos, muito nova. Casei e fui viver em outra cidade, onde fui muito feliz por um tempo. Tive 4 filhos — duas meninas e dois meninos.

Perdi três filhos com leucemia aguda. Meu filho, aos seis anos, caiu, quebrou a coluna vertebral e ficou cadeirante por 11 anos. Também o perdi mais tarde.

Eu tirei a vida do meu marido, e já tem 9 anos e 6 meses que me encontro privada da minha liberdade. Ele me pediu o divórcio e, por eu não ter aceito, fui egoísta e pequei contra Deus.

Hoje estou muito arrependida do que fiz. Só quero uma oportunidade de renovar minha vida. Agradeço por estar aqui, compartilhando um pouco das profundezas da minha vida e das minhas feridas mal cicatrizadas, meio abertas.

Dói muito quando coloco a cabeça no travesseiro e vejo que poderia ter sido mais fácil aceitar — e tudo poderia ter sido diferente. Quem sabe, eu teria recuperado o meu filho cadeirante, cuja vida foi cruelmente tirada na porta do colégio, por erro do pai, que era policial e fez mal a uma pessoa. O preço deste mal foi a vida de um jovem cadeirante saindo do colégio. Me dói, mas sei que, se eu não tivesse presa, talvez isso não teria acontecido.
Dor de uma mãe em recuperação e em superação.

Tenho 50 anos e estou recuperanda na APAC.


GOSTOU DA CARTA E QUER ENVIAR UMA PRA GENTE?


Descubra mais sobre Diário da Mãe em Construção

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário