Conselheiro Lafaiete, 20 de dezembro de 2025
Queridas mamães e puérperas;
Recebi mais um presente de Deus no ano de 2025, minha linda bebê Zoe, que chegou sem ser planejada, mas muito amada desde o primeiro momento. Tive uma gestação fisicamente tranquila, mas emocionalmente não, desenvolvi ansiedade, irritabilidade, um enorme medo de não dar conta, inicialmente normal, pois já tinha um rapaz de 13 anos e uma criança com 2 anos. Foi uma gestação longa, minha bebê nasceu de quase 41 semanas, nós, mamães, vamos entender melhor isso rsrsrs, pois são exatamente 10 meses, e já existia ali presente a ansiedade e todos aqueles sintomas.
Na madrugada do dia três de abril, comecei a sentir algumas cólicas, leve desconforto, mas nada extremo, acordei, fui ao banheiro fazer mais um xixi, mas nada demais, voltei a dormir, acordei ainda com aquele incômodo persistente por volta das 06:00 da manhã, aí sim me dei conta que realmente estava em trabalho de parto, tomei banho e me arrumei, chegando ao hospital por volta das 08:30 já com a bebê coroando, já estava nascendo. Foi tão rápido e lindo, um sonho de parto natural. Mas ali, também naquele hospital maternidade, vive uma memória gatilho, uma lembrança, vinha ali relâmpago de um momento muito triste, que vivi ali naquele hospital no passado, a perda de uma gestação tardia dos meus gêmeos de sete para oito meses, algo que aconteceu há quase dez anos, mas voltou a doer durante e a partir daquele momento. Naquele momento, fiquei confusa com um misto de sentimentos, era meu presente de aniversário a chegada da minha filha ali, mas também era a lembrança muito triste que vivi ali, com um misto de sentimento em um momento de vulnerabilidade física e emocional.
Hoje, minha bebê, com 8 meses, passou tudo muito rápido, mas vivo um puerpério difícil, prolongado, até porque um puerpério pode durar até dois anos do bebê, não existe um tempo fixo. Vivo tudo que uma mãe real vive: privação de sono, amamentação, busca de nova identidade, falta da liberdade, culpa materna, comparação com outros filhos mesmo sabendo que cada indivíduo é único, mas também o mais impactante, as consequências de me anular, isolar e não compartilhar as minhas dores e medos na gestação e parto, não buscando auxílio para minha saúde mental. Ignorei os meus sintomas que já estavam presentes ali, a exaustão emocional, ansiedade, entre outros.
A saúde mental é algo muito importante e muito sério, então você, leitora, se precisar de ajuda, “levante a mão”. Hoje, como estudante de psicologia, o meu amor cada vez cresce pela psicologia perinatal (aquela que cuida de tentantes, grávidas e mamães) e isso para mim tem se transformado não só em uma nova profissão, transição de carreira, mas sim em propósito.
Sou mãe de três filhos
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