Conselheiro Lafaiete, 06 de outubro de 2025
Queridas mamães, queridos leitores
Como vocês estão? Gostaria de compartilhar no dia de hoje uma experiência que tive em um diálogo com a minha filha em uma viagem. As experiências que a maternidade proporciona me encantam, abrem os meus olhos, ampliam o meu horizonte. E a cada dia percebo quão importante é o diálogo, pois ele é uma ferramenta incrível de conexão e aprendizado.
Como mãe, acabei desenvolvendo uma mania de acreditar saber o que as minhas filhas querem e fazer de tudo para que esses desejos se realizem o mais rápido possível e da melhor forma possível. Claro, dentro das nossas condições, né? Meu marido costuma dizer que mimo muito as meninas. Acredito que sim, em muitos momentos. Mas também, acredito que em outros, as ajudo. Saber a diferença, buscar esse equilíbrio é o meu desafio constante. E, como já mencionei antes, uma das maneiras que busco encontrar essa distinção passa pelo diálogo.
Estávamos em uma viagem de férias, passeando de barco. Curtindo o momento, sentindo o vento batendo no rosto, a maresia, o balanço do movimento do barco, apreciando a vista, quando visualizamos um jet ski, deixando seu rastro, em uma velocidade bem mais rápida do que a que estávamos. Abrindo espaço para que eu imaginasse o nível de adrenalina e a emoção que o piloto estava sentindo. Quando ouço a voz da minha filha: eu gostaria de andar de jet ski, um dia.
Imediatamente, lógico, eu disse, uai, filha, vamos pesquisar o valor e verificar possibilidades, quem sabe a gente consegue agendar, já imaginado nas diversas maneiras e estratégias de proporcionar tal passeio.
Foi então que ela me disse tranquilamente, mãe, eu sou nova, tenho apenas 17 anos e acredito que terei ainda muitos anos pela frente, não precisa ser agora. Terei bastante tempo para realizar meus sonhos e desejos.
E então, parei, me acalmei e pensei: verdade. Toda aquela euforia que estava já crescendo em mim desapareceu e senti uma paz emergindo, alinhando meu estado interno com a sensação de tranquilidade que o oceano azul muitas vezes me proporciona. Sorri e pensei: que delícia é o diálogo. Minha filha, naquele momento, não estava me pedindo nada, ela só estava externando um pensamento, ou quem sabe o nascimento de um sonho, uma vontade. E eu só fui capaz de compreender isso através do nosso diálogo.
Às vezes, é difícil para eu entender isso. Minhas filhas me falam com frequência, mãe, quando digo que gostaria de ter algo, ou fazer algo, não é para ser agora, tá? Podemos planejar para outro momento, outra oportunidade.
O imediatismo e a urgência muitas vezes inibe a oportunidade de transformar desejos momentâneos em sonhos. Bons sonhos são construídos com tempo. Tempo de imaginação, tempo de validação, tempo de planejamento e tempo de realização. E talvez, essa trajetória que torne a realização tão gratificante.
Com muita paz, me despeço
Tenho 48 anos, sou casada e mãe de duas com 17 e 15 anos.
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