Congonhas, 25 de setembro de 2025
Queridos leitores e leitoras,
Há algum tempo tenho sentido vontade de escrever e partilhar uma experiência que vivi durante a pandemia.
Coincidência ou não, certa vez assisti a uma palestra sobre Auto-Regulação Emocional. A psicóloga que a conduzia ensinou uma prática que, curiosamente, a minha filha caçula já me havia mostrado em casa. Nesse dia, ela estava comigo a assistir à palestra e, ao perceber isso, pensei: preciso partilhar este momento com mais pessoas!
A minha filha mais nova nasceu em 2019. Em 2020, estava pronta para começar a frequentar a creche, mas a pandemia alterou os planos. Apenas em 2022 é que pôde, de fato, iniciar essa experiência. Confesso que tinha receio de colocar as minhas filhas tão pequenas na escola; acreditava que seria melhor apenas a partir dos três ou quatro anos. No entanto, surpreendi-me positivamente com a qualidade do ensino e a estrutura da creche.
Aproveito aqui para propor uma reflexão: precisamos valorizar mais a educação infantil. É essencial investir em creches públicas de qualidade e reconhecer devidamente o trabalho dos profissionais que nelas atuam.
Voltando à memória que quero partilhar: em 2022 ou 2023 (já não recordo exatamente), estava em casa, bastante agitada, nervosa e irritada. Nesse momento, a minha filha caçula olhou para mim, colocou a mãozinha à frente da minha boca e disse: “Mamãe, cheira a florzinha!”. Em seguida, apontou o dedo e completou: “Agora, sopra a velinha!”.
Ela repetiu algumas vezes até que eu, finalmente, percebi o gesto. A técnica de respiração me acalmou pouco a pouco. Perguntei-lhe onde havia aprendido aquilo, e ela respondeu, com naturalidade, que era para eu ficar mais calma e que tinha aprendido na creche.
Fiquei profundamente emocionada. Admirada com a sua percepção, a coragem de tentar acalmar-me naquele momento difícil e, acima de tudo, o carinho e a atenção que demonstrou. Mais tarde, conversando com uma amiga psicóloga sobre o episódio, ela chamou-me a atenção para algo muito bonito: a liberdade e confiança que a minha filha sente em relação a mim, além da sua empatia.
Essa reflexão encheu-me de alegria e gratidão. Como mãe, sigo em constante aprendizado, e desejo cultivar esse mesmo olhar cuidadoso para com as minhas filhas. Que a liberdade, a confiança e o espaço para o diálogo e o afeto estejam sempre presentes entre nossa família.
Um abraço,
Margarida, mãe de 40 anos com três filhas de 13,9 e 6 anos.
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