Ouro Preto, 21 de maio de 2025
Ela percebeu a distância promovida pelos anos em que a educação e o aprimoramento de seus filhos os tiraram de perto de si, embora se sentisse realizada com a felicidade dos mesmos, já não havia tanta harmonia à mesa.
Ela desejava, no fundo do seu eu, ver todo mundo junto novamente, brindando a felicidade e as vitórias conseguidas.
Alguém mais perceptivo sentiu a necessidade de realizar o sonho dela e teve a fantástica ideia: reunir todos para a comemoração do 80º aniversário da matriarca.
O movimento de pré-comemoração começou. Reuniões para planejamento e execução passaram a ser promovidas. A filha mentora deu a ideia; o filho ligado à matemática ajudou nas reuniões com pauta aberta a sugestões. A filha comerciante fez questão de personalizar a roupa que a aniversariante iria usar, peça única para um evento único. Os filhos engenheiros (civil e engenharia de Minas) verificaram o local adequado para comemoração. O filho motorista de caminhão avaliou a estrada, a distância e o tempo para quem viajava. O filho que morava no estrangeiro estava presente o tempo todo através da tecnologia, dando seu apoio, sugestão e carinho.
As filhas nutricionistas sonharam com o cardápio e adicionaram um tempero especial ao que foi servido: amor.
O filho vitimado por algum destino traçado pelo próprio criador também estava presente com seu sorriso infantil, até os que já partiram e não retornaram espiritualmente estavam presentes.
Dois anos para a preparação do evento, dois anos comunitários, dois anos de harmonia, dois anos de felicidades. TODOS, aos mais jovens, unidos por Laços de Sangue e Amizade, caminhando numa mesma direção.
A festa foi mais que um sucesso. Foi um momento de plenitude e magia. Foi um espetáculo que jamais será esquecido por toda a família e dói a possibilidade de reunir todos por uma única proposta.
Interessante qual a resposta que ela, em sua festa, deu a alguém que perguntou se ela gostou do evento. Com enorme visão de futuro e uma mente jovem capaz de desejar a vida cada vez mais plena, ela se limitou a responder que sim, mas que também teria sua festa de 90 e 100 anos. Não era mais a mesma pessoa, bem como toda sua família. Todos renasceram a partir do momento em que o futuro era mais importante que o presente, já que seu maior desejo era novamente a família e harmonia por mais décadas.
A diferença entre esta e outras festas é que havia amor em todos os sentidos e não apenas a possibilidade de alguém estar presente só para mostrar sua face . A festa era num ato coletivo de carinho.
Irene Ri. Tenho 65 anos, sou mãe de duas meninas e filha de Dona Inez.
GOSTOU DA CARTA E QUER ENVIAR UMA PRA GENTE?
Descubra mais sobre Diário da Mãe em Construção
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.