A espera de Lina

Ouro Preto, 09/06/2025

Vejo muitas mães falarem sobre a ansiedade de ver o rostinho do bebê, de que ele nasça logo. No meu caso, eu não queria que ela nascesse, pois sentia que perderia o controle. Com ela ainda na barriga, tudo estava sob meu controle. Isso me fez querer prolongar o máximo possível a data do nascimento. Não tive aquela ansiedade comum pelo parto.

Acho que havia também o medo do desconhecido. Medo de como seria a nova rotina, das responsabilidades associadas a tudo que eu ouvia nos dias que antecederam o nascimento. Frases como: “Aproveita para dormir agora, porque depois você nunca mais vai dormir.” “Tomara que ela chore muito, para você ver o que eu passei.” “Já pensou se ela nasce com a personalidade do fulano? Você está ferrada.”

Estávamos em outra cidade, apenas aguardando ela chegar para então voltarmos para casa.

Meu marido queria que ela nascesse logo, para podermos voltar. Já estávamos próximos das 40 semanas, e eu ouvia pessoas próximas sugerindo métodos de indução. Mas, além de não querer adiantar nada, eu desejava que ela viesse no tempo dela.

Não estávamos em um ambiente confortável, e eu tinha muito medo de como seria quando entrasse em trabalho de parto, se teria que ficar horas naquele lugar até o momento de ir ao hospital.

Digo que o universo — ou Nossa Senhora do Bom Parto — foi muito gentil comigo. Entrei em trabalho de parto no dia em que completei 40 semanas. Comecei a sentir os sinais já com contrações ritmadas de 3 em 3 minutos. Graças à educação perinatal oferecida pela minha doula, à fisioterapia pélvica e ao acompanhamento do meu marido durante toda a gestação, ele logo identificou a fase do trabalho de parto em que eu estava e acionou nossa equipe de saúde. Com ele ao meu lado, minha única preocupação era me concentrar no que eu estava sentindo. Ele cronometrava as contrações, conversava com a equipe e dizia: “Acho que você já está com uns 7 cm.” E eu pensava: “Claro que não, dizem que o trabalho de parto demora muito. Ainda tenho muita coisa para passar antes de ter minha Lina nos braços.”

Quando a enfermeira obstetra chegou em casa, fez o toque e confirmou: “7 cm, vamos para o hospital.” Não é que ele acertou mesmo?

Chegando ao hospital, encontrei minha doula, que já estava lá com uma mala cheia de apetrechos não farmacológicos para me confortar e aliviar os desconfortos que eu estava sentindo. E ela trabalhou, viu? Muita massagem, acupuntura, óleos essenciais, água quente… Ela foi uma das pessoas mais maravilhosas que cruzou o meu caminho. Digo e repito: a doula foi a profissional mais importante no meu parto. Meu marido, que no início não sabia muito bem para que “servia” uma doula e achava que não era necessário, hoje diz para todo mundo: “Com certeza, teria um parto sem assistência médica, mas jamais sem uma doula.”

Chegamos ao hospital às 3h33 da manhã e, às 5h26, Lina nasceu com 3.265 kg, em um parto natural, sem laceração. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria um parto assim. Ela foi direto para o meu peito, tivemos nossa golden hour, e iniciamos nossa lua de leite — que já dura 8 meses de muito amor e leitinho da mamãe.

Empodera! Mãe da Lina, 8 meses de vida e eu tenho 34..


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