Conselheiro Lafaiete, 22 de abril de 2025
Olá, sou nascida e criada em uma cidade do interior de Minas Gerais. Venho de uma família muito humilde, mas também muito honesta. Podia faltar tudo na minha casa, mas nunca me faltou amor, carinho e dedicação.
Aos meus 17 anos, engravidei da minha filha. Com o nascimento dela, veio um recomeço muito grande para mim, pois tive que aprender a lidar com a situação e ocupar o meu lugar de mãe. Eu sempre lutei para cuidar da minha filha. Fazia faxina, trabalhava e corria atrás para dar o melhor para ela, pois eu não queria que ela passasse dificuldades.
Até os 9 anos de idade da minha filha, fui uma mãe presente. E foi nessa idade dela que eu fui presa e tive que me renovar mais uma vez, pois começava um novo ciclo na minha vida.
Quando fez 7 anos que eu estava presa, perdi meu pai. E, mais uma vez, tive que juntar os cacos e me refazer. Graças a Deus, já estava na APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) e tive a oportunidade de, pelo menos, me despedir dele com dignidade — e por isso sou grata.
Agora está chegando a hora de eu ir para casa novamente, depois de 9 anos de prisão, e já estou me preparando, pois sei que não vai ser fácil. Minha filha está com 18 anos e meu pai não mais se encontra no lar. Eu busco me fortalecer no meu propósito. Sei que não será fácil, pois nunca foi. Porém, sempre escolho o recomeço.
Acredito que é difícil, mas não impossível. A minha vida é comparada a uma metamorfose. E por isso, vou sair de cabeça erguida, dar a volta por cima, vou correr atrás da minha profissão, que é o meu sonho: fazer enfermagem, cuidar da minha família, dar continuidade à minha vida honestamente.
O casulo já liberou uma linda borboleta — hoje determinada, sonhadora e cheia de projeto de vida.
Com fé, creio que já venci.
Tenho 35 anos, uma filha de 18 e estou recuperanda na APAC.
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