Solos áridos florescem

Conselheiro Lafaiete, 27 de março de 2025

Olá, sou filha, neta e sobrinha de mulheres resilientes, fortes e exemplos de amor e tranquilidade. Dedico essa carta não só a essas mulheres que eu tanto amo e admiro, mas a todas as mulheres que também foram criadas por mulheres e se sentem honradas por isso.

Existem dias que parecem longos, e são justamente esses os meus preferidos. Quando estou em casa ou em qualquer lugar com as pessoas que amo, sinto uma paz gostosa, como se o tempo parasse por alguns instantes, porque para mim esses momentos têm um valor inestimável; vê-las felizes e conquistando seus sonhos é o meu maior paraíso. 

Nos momentos em que a vida me tira do eixo, quando uma cegueira temporária toma conta e a vida me revela frágil e ignorante, a presença dessas pessoas ao meu lado me faz sentir protegida e amada. O apoio que me dão traz clareza e me incentiva a buscar ser uma pessoa melhor. 

Algumas pessoas dizem que são mais felizes e completas sozinhas, e tudo bem porque isso também é válido. No meu caso, sinto que posso ser melhor quando estou cercada por quem amo, pois elas fazem parte de mim fora de mim.

Mesmo diante da perda, o amor é que transforma cinzas em uma chama que aquece o coração, por isso quando lembro de pessoas queridas, apesar da saudade, me sinto aquecida, porque fui amada por elas também. Mesmo que não seja possível ver, tocar ou ouvir, podemos sentir. O amor genuíno resiste ao tempo, ao sofrimento e ao esquecimento. O amor é resistência, é fonte de luz. 

Talvez eu não saiba amar da maneira mais aclamada, pois, nos dias de hoje, demonstrar afeto, interesse e cuidado está fora de moda. A tendência atual é ser frio, ignorar, fingir indiferença. Por um tempo, até tentei me moldar a isso, achando que seria mais fácil. No entanto, percebi que, não me servia, não estava sendo eu mesma, porque me dei conta que não sei dosar o amor, o afeto, o interesse e o cuidado. Afinal, como medir algo que não se pode ver, cronometrar ou calcular? Quando voltei para mim, descobri que estar fora dessa moda me faz vivenciar momentos únicos e que ser “démodé” é incrível. 

Amar nem sempre é um mar de rosas, mas é sempre um ato revolucionário. Aceitar e valorizar a singularidade do outro é um desafio e às vezes nos convoca a lidar com situações delicadas e desafiadoras que, quando aceitas e superadas, nos permite ir além no autoconhecimento. Quando deixamos o amor entrar, ele nos ilumina. 

Perdi as contas de quantas vezes amar as pessoas mais importantes da minha vida me salvou, e de quantas vezes ser amada me resgatou de momentos dolorosos . Posso afirmar, por experiência própria, que o amor salva não só a vida, mas também a alma. Quem conhece o valor do amor não quer viver sozinho e pode ensinar a quem ainda não o conheceu. Ao derramar amor, até os solos mais áridos podem florescer, e é maravilhoso perceber que amar nunca é em vão e que quando nos sentimos amados também florescemos. 

Ninguém nasce sabendo como amar, mas à nossa maneira, podemos aprender ao longo da vida. Não há uma única forma certa de amar, pois, se houvesse, todos os poetas escreveriam da mesma maneira, e seriam iguais. No entanto, o amor que salva não pode ser o mesmo que fere, agride, destrói e nos rouba de nós mesmos. Isso pode ser qualquer coisa, menos amor. 

Não sei explicar o que é o amor; apenas descrevo o que ele me faz sentir. Talvez o amor não precise de explicação; senti-lo basta. 

Agradeço todos os dias por amar e ser amada, minha vida tem mais cor, sabor e beleza, pois tenho o privilégio de compartilhar ela é fazer parte da vida de quem eu amo. Amar é uma arte, e cada artista tem sua própria forma de fazer arte.

Tenho 22 anos


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