Aceitando a maternidade atípica

Ponte Nova, 26 de setembro de 2024

Hoje venho aqui contar um pouco da minha história e eu adoro contá-la. Vou ter até que me conter aqui minhas palavras. Eu vou começar falando aqui da aceitação. Sou mãe atípica, tenho 43 anos e uma filha de 6 anos com Síndrome de Down. 

Eu precisei aceitar. Primeiro eu precisei aceitar que tenho uma criança com Síndrome de Down. Não vou dizer que foi fácil, porque não foi fácil. Mas também não foi o fim do mundo. Foi apenas difícil.

Foi explicar de uma outra maneira. Foi como planejar uma viagem para ir para a praia. Então, eu entrei no ônibus, fiz a minha mala e fui para a praia. Só que a viagem era a noite e eu dormi. Quando eu acordei, o motorista tinha mudado a rota e ao invés dele ter ido para a praia, que é um lugar quente com água, calor e mar, ele foi para uma cidade fria. 

E dentro da minha mala, só tinha roupa de calor, pois eu não me programei para ir para aquela cidade. Assim foi a minha gravidez. 

Eu não programei ter uma criança com Síndrome de Down, mas eu tive. Como qualquer um pode ter. Não existe uma regra para nascer uma criança com Síndrome de Down. Acontece e em uma outra oportunidade eu explico melhor e como isso acontece. 

E aí, eu precisei me reinventar. Demorou alguns dias, mas deu certo, quando eu percebi a capacidade dela. Quando eu percebi a capacidade dela e começaram os desafios desconhecidos para mim. 

Mas eu tive ajuda de grandes colegas, profissionais que muito me ajudaram. E, não é vergonha pedir ajuda. Não tem problema nenhum dizer que não sabe, dizer que não consegue. É só dizer. 

Hoje minha filha tem 6 anos e nós duas já passamos por muita coisa. Ela já sofreu bullying na escola, e hoje sou grata, pois na escola que ela frequenta hoje e cursa o primeiro ano do ensino fundamental, ela é tratada com muito carinho e respeito. 

Ela, inclusive na escola anterior a essa, ela era excluída das atividades da sala, pois a percepção das pessoas é que ela não seria capaz. E muito pelo contrário, ela aprende tudo, só que de uma maneira diferente. Hoje eu posso dizer que meu maior desafio como mãe de uma criança com Síndrome de Down é mostrar para as pessoas que Síndrome de Down não é doença, não pega e que inclusão não é um favor. Que inclusão não é só carinho e nem só fazer coisas para as pessoas. E que eu busco mesmo é equidade. 

Tenho 43 anos e sou mãe atípica de uma criança de 6 anos.


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