Parto e amamentação

Ouro Preto, 04 de março de 2024

Momentos gloriosos: Eu percebi que havia ficado grávida (de ambos), logo após a relação sexual e disse: estou grávida! 🫄

Nem sempre é fácil falarmos desses momentos tão íntimos da gente e que por muitas vezes descobrimos falhas. 

Mas vamos lá, minhas experiências com os partos e aleitamento materno: 

Trabalhei até o último momento e usufrui de 4 meses de licença maternidade. 

Minha menina nasceu em 1988 (ano da publicação da Constituição Brasileira), no dia mais frio daquele ano. E eu havia lavado com muito carinho as suas roupinhas no dia anterior e, também, tinha saído para fazer compras de fitas e lese (laise) branca para uma grande amiga forrar o bercinho, o famoso Moisés (balaio de vime), que, por sinal, ficou lindo. 

Ela nasceu às 11h30, fomos para Santa casa às 8h, já com a bolsa rota, sentindo contrações fortes. Como eu não tinha muita experiência e naquela época era bem comum… Sofri violências, como a manobra de Klisteler (que é quando se empurra com as mãos, braços, cotovelos a barriga da gente para forçar a saída do bebê), quem sofreu sabe o tanto que é ruim, mesmo!  

Teve também a episiotomia (ato médico, mesmo ele falando na hora que eu era que nem quiabo, minha filha escorregava) e ainda pior foi na amamentação (pior para mim é claro) não me deixaram ficar com minha filha pós-parto. Eu fui vê-la de madrugada (contrariando as normas hospitalares) e tinha vários bebês, chorando naqueles bercinhos acoplados, que na época eles todos ficavam juntinhos e a gente, a mãe, pai, ficava procurando qual é o da gente…

Também teve a fala de uma colega profissional do famoso berçário: “você não sabe nada, aqui a gente dá complementos sim” ou o de uma enfermeira dizendo: “você quer matar sua filha? Não pode fazer desse jeito.”  É claro que tudo isso mexeu muito comigo e ainda tive que ouvir também “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” afinal eu estava ajudando duas clientes a amamentar e após três mastites drenadas (em 15 dias fui operada 3 vezes, uma com anestesia geral), estava difícil de continuar oferecendo o peito.

 Mas consegui com leites de outras mães (banco de leite e voluntárias). Por muitos anos me culpei e tive medo das consequências…

Segundo filho, essa gravidez também foi tranquila. Eu curtia muitos meus filhos na minha barriga (cantava, conversava, sentia com muita alegria), porém eu levei um grande susto… no oitavo mês eu estava dirigindo meu fusca ali na Praça da Estação indo para Barra, quem é de Ouro Preto sabe era muito estreita e um ônibus deu marcha ré e, bateu no meu carro. Desci com o propósito de fazer ele pagar o estrago, só que nessa hora o caminhão que vinha na outra direção (foi dado passagem para ele), seu motorista o jogou para cima de mim, brincadeira?

Não sei. Sei que me assustou muito e eu dei um maior pulo para passeio… O motorista do ônibus assustado desceu e veio ficar comigo, até o meu marido aparecer claro, que ele não pagou nada (cabe ressaltar que a empresa estava em débito, ele estava sem receber salário na época) e a sua solidariedade foi exemplar.

  Mas o choque me levou a produzir um cálculo renal e esse após mexer me fez sangrar e cor respaldo do meu médico do trabalho e do meu ginecologista, fomos parar em Belo Horizonte de urgência (todo cuidado e zelo é muito importante!) e após fazer um ultrassom percebeu-se que não era parto prematuro. 

Voltamos para a casa, no outro dia, e eu até achei que esse menino não nasceria em Ouro Preto. Respeitando seu tempo…  Numa sexta-feira à noite, após uma festa com amigos comendo muita galinhada, chegamos em casa às 24h00 e ele deu seu primeiro empurrão, a contração foi forte, resolvi deitar e às 4h30 a bolsa estourou na minha cama levantei com calma fui ao banheiro tomar banho, e enquanto meu marido ligava para o obstetra.

Eu falei podemos correr vai nascer e fomos para o hospital saímos da minha casa 10 para as 6h e 6h20, (não escapei da epsio, que foi ainda maior) ele já tinha nascido, meu menino jambo veio ao mundo (posteriormente seu pediatra diagnosticou a clavícula quebrada, sem tratamento) foi   recebido alegremente por nós.

 Mas ele também não pode ir comigo para o quarto, com muitos pedidos fui vê-lo após seis horas do seu nascimento no mesmo mês da irmã, dois anos após (no ano do Decreto do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente)!

Já a amamentação achei que ia ser bem mais tranquila, mas aos 19 dias de sua vida, eu tive a tristeza de resgatar (olha que lembrei as técnicas de primeiro socorros naquele momento e dando muitas graças a Deus) uma “sobrinha” de 3 anos, que foi atropelada, debaixo de um carro e o susto foi imenso. Eu só acalmei realmente quando fui visitá-la em um hospital com as duas perninhas quebradas e ali ficava desenhado.

 Amamentei também seu irmão de seis meses (naquela época não se falava de amamentação cruzada, que hoje é contraindicada pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde, porque pode ser risco de transmissão de doenças infectocontagiosas) e nesse momento percebi que a pega dos meus filhos era bem mais difícil (ambos tinham frênulo lingual – a famosa língua presa, que não era avaliada).

 Eu consegui amamentá-lo por mais tempo que a irmã, por 3 meses. A mastite quis vir e fui aconselhada a parar, a não sofrer novamente… E eu relutando, pressionada, decidi parar. 

Vivi momentos marcantes! Me incomodou muito em oferecer utensílios (a cada higienização criteriosa, eu chorava) e leites industrializados, para meus filhos, porque acreditava que era o ideal.

Tenho consciência que foi do jeito que tinha que ter sido. Mas com certeza, me impulsionou a estudar muito, a praticar com outras mães, a ouvir e me tornar Conselheira em Aleitamento Materno e doula, conhecer e fazer valer as leis, divulgar os benefícios e diminuir os malefícios. 

Sei que não é preciso ser feito e o que realmente deve ser estimulado, no momento certo. Confio! 

Me tornei especialista e ajudei muitas mulheres e seus bebês! Apoio, protejo e promovo a amamentação e a alimentação saudável, com muito mais vigor e assertividade. 

A minha história pode ser diferente, mais exitosa para outras pessoas. 

Mães! Profissionais! Família! Toda a Rede de Apoio! O que mais aprecio é a conscientização e o empoderamento que fazemos acontecer. Compartilhar!

Irene Ri- Mãe de dois filhos, uma de 35 e outro de 33 anos


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