A sorte de ter várias mães

Congonhas, 20 de maio de 2022.

Querida mamãe,

No mês de março, mês que se dedica às Mulheres, fico pensando muito nas mulheres da minha vida. Eu tive a sorte de ser criada por várias mães. Me despedi da minha mãe quando eu tinha quatro anos e, aí, fiquei com minha avó, tias e tios. Vó era um exemplo de luta, ao ficar viúva, precisou sair da roça e ir para cidade com os filhos. Porém, eu tive pouco tempo de convivência com ela, e com meus nove anos me despedi dela também.

Pretendo não citar os nomes das mulheres aqui, pois, memória de mãe, vocês já sabem…muda um pouquinho rsrsr.

Com as despedidas, tive como opções ir para um abrigo ou ser criada por minhas tias. E assim, a minha tia mais nova, com vinte e poucos anos, cheia de sonhos, se viu tutora de uma menina. Ainda assim, ela foi a primeira da nossa família a ter um curso de graduação. Trabalhava em duas escolas e dava suporte para todos da nossa casa. Minha inspiração para muitas coisas, dentre elas, estudar.

Ao lado dessa tia, tinham mais quatro mulheres, minhas tias também. Minha madrinha, com seu pouco estudo, com conversas profundas, me ensinava muito sobre valores, moral e ética. Queria muito que ela estivesse aqui pra conversar com minhas filhas. E tinha outra tia na mesma casa, que com duas filhas gêmeas de seis meses, se viu separada e foram morar na casa da minha avó. Exemplo de fé e força. Nos ensinava e ensina muito com as suas experiências de trabalho e vivência em outras cidades.

E as outras duas tias, casadas, ainda que morando em bairros diferentes, sempre influenciaram em minha formação, seja por telefone, ou nas reuniões de finais de semana. Até hoje, ligo para elas para conversar sobre algo da criação das minhas filhas, de trabalho e de cunho pessoal mesmo. São minhas orientadoras rsrs.

Mais mulheres foram um pouco minha mãe ao longo da minha trajetória: tiveram minhas amigas do ensino médio e da “rua”, que me ouviam e “puxavam” minha orelha; minhas colegas do primeiro emprego, que me impulsionaram a estudar; primas da minha mãe que me acolheram por um tempo quando fui estudar fora da minha cidade; minhas amigas e irmãs de república e das faculdades, apoio e cuidado, além das farras; as professoras e orientadoras, que inspiravam muito além do curso, com sua história de vida e trajetória profissional; minha sogra, me ensinou os primeiros cuidados com minhas filhas e me auxilia até hoje; minhas primas, irmãs que conheci a pouco tempo, cunhadas, cumadres, e cuidadoras das minhas filhas, com as trocas de figurinhas do ser mulher, de relacionamentos e nos cuidados com as crianças, parceiras em diferentes momentos, colegas de trabalho que me auxiliam em muitas dúvidas, principalmente, no que se refere à cidade visto que não sou daqui, como escolha da escola das crianças, bairro para morar, onde comprar, entre outros; colegas que encontro semanalmente para leitura de um livro, que me ensinam muito compartilhando suas experiências de vida.

Enfim, eu sinto minha mãe comigo em todos os momentos. E percebo que sou agraciada por muitas mulheres, que de alguma forma, me acolhem ou acolheram como verdadeiras mães em minha vida. O que me fortalece para educar e criar as minhas filhas. E sigo acreditando que mulheres curam mulheres. Tenho certeza que de alguma forma, você, mãe está curando e sendo curada por alguma mulher, esta, não necessariamente precisa ter um filho ou filha. E sinto que minhas filhas já têm outras mães junto delas. Gratidão à essas mulheres!

Um abraço a todas as mamães e parabéns para nós, Mulheres, todos os dias.

Com carinho,

Giséle,37 anos, mãe de três filhas. 


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