Minha mãe no meu coração

Ouro Preto, 01 de maio de 2022

Querida mãe,

Hoje é comemorado o dia internacional do riso, o dia do trabalhador e 37 anos de aniversário do meu casamento, escrevo essa carta para o diário da mãe em construção.

Minha mãe que está no céu. Cresci com mãe Inês sendo referencial de devoção a Deus. Desde pequena percebi que sua fé inabalável era também meu porto seguro. Frequentava diariamente o Santuário de São Judas Tadeu, em Belo Horizonte. Inês, mãe de dez filhos, esposa do meu querido pai Cipriano, que também está no céu. Era viajante, motorista de caminhão. Cabia a essa bela senhora a educação, o acolhimento dos seus filhos e por muitas vezes também, era procurada por sobrinhos, nora, vizinhos, todos os netos, meus filhos Ana Carolina e Alexandre, mais ainda. E também pelos bisnetos. Sempre foram acalentados.

Imagine uma mulher dinâmica, não parava e fazia o melhor feijão, couve, frango ao molho pardo, torta de banana, do mundo. Olhar terno, que transmitia amor, segurança proteção. Magra e baixinha que aguentava o mundo se preciso nas costas. Meu referencial de vida me aplaudia com os olhos, e um sorriso único no rosto que sempre dizia:

– Não liga não, você é amor. Você é forte. Há muitas maneiras de demonstrar o amor e você dá conta. Ah.. Vê defeitos dos outros, quem os tem.

Ela queria ser psicóloga, sempre contava que era muito elogiada na escola em Santa Luzia, muito inteligente. Que não fez mais que quinta série, por não ter condições de sair para estudar fora. Mas isso de uma forma como ela era, sempre dito com leveza, mas que me passava uma vontade de estudar, de seguir meus sonhos, de ser capaz.

Minha mãe adorava festas e rosas. Lembro da gente, pós noite de Natal, ficando, nós duas, limpando vômitos no chão da copa e banheiro dos meus irmãos adultos, após beberem e rirem muito, passarem mal. Se recomporem e saírem para continuar a gandaia. E ela ria gostoso, e não ficava nada pesado.

E como gostava de comemorar seus aniversários, que só lembro de ter tido festas a partir dos seus oitenta anos, onde ela se sentia uma rainha, como a Elisabeth da Inglaterra. Ficava sentada, observando tudo e todos. Ia a cada mesa, para ser cumprimentada e agradecia com olhos e sorrisos. Recebia homenagens para parecia não inflarem o seu ego. Simples assim, era a minha mãe.

Cresci, fui estudar fora, em Ouro Preto, graças também a sua força, que me impulsiona. Casei, e essa minha mãe linda, após cinco anos, veio ficar com a gente por mais cinco anos, de segunda a sexta para me ajudar a criar os meus filhos. Eles também tiveram o privilégio de estar com você, mãe.

Que falta você me faz. Sempre quis ser forte como você. Com suas condutas éticas, educação e personalidade sem igual. Agora sei, a duras penas, afinal vai fazer um ano no dia 24/06/22, 2021 né, que você se foi. E eu conto só com a sua força espiritual. E claro, você mora no meu coração, junto com meu pai.

Que você, Mãezinha, é muito mais que mulher, filha, amiga, minha mãe, que nunca vai nos deixar. Você foi para o céu e com certeza, o alcançou aqui na Terra. A saudade ainda dói e é muito grande, não sei se vai diminuir. Mas sei que está com os seus e ao lado de Deus pai, olhando por nós aqui, para seus amados netos também e bisnetos.

Eu tomo a sua força, sigo em frente, me redescobrindo e fazendo do meu jeito. Sei que você tem orgulho de mim, e eu amo tanto, tanto, tanto, que a certeza de que um dia nos encontraremos novamente, é super grande. Afinal, a sua fé, a minha fé, no Sagrado Coração de Jesus, não tem fim.

Gratidão por me ter posto neste mundo e me fazer uma pessoa melhor. Quanta sabedoria. Quanta falta você ainda me faz, minha mãe. Um beijo grande no seu coração. Fica com Deus.

Com muito amor e carinho,

Clea Costa Barbosa, filha de Inês dos Reis Costa e Cipriano Costa, esposa de Marcelo e mãe de Ana Carolina e Alexandre. 


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