Como o ser humano pode se descobrir tão forte!

Sinop (Mato Grosso), Janeiro de 2022

Você provavelmente já viu alguém passando por uma situação e pensou: eu não daria conta! Eu também, e tenho tentado dar, mas a verdade é que ser mãe é NÃO DAR CONTA. Tem como alguém traduzir o que é a responsabilidade de uma mãe?

Eu ainda tento entender quem foi que falou que daríamos conta. E passo os dias concluindo que NÃO DAMOS CONTA… Ninguém deu, ninguém nunca vai dar e a humanidade está aí: parte deu certo, parte não!

Eu me sinto GIGANTEMENTE RESPONSÁVEL. Claro que eu tenho a sorte ainda mais gigante de contar com alguém especial: meu parceiro, meu marido. Ele põe ordem na minha desordem com os meninos, ele acalma e tumultua tudo, ele esquece que tem mais de 30 e que o Yuri ainda não completou 18 anos (Yuri tem 2,5 anos, kkk), mas ele é minha base forte!

E mesmo assim, aqui o coração sente apertado, sente sozinho, sente “será que vou dar conta?”. Aqui pesa aquela sensação de “não poder faltar”, de ter que olhar para tudo, sentir tudo, agir como se fosse “11 kamyllas” e, mesmo assim, se perceber totalmente INCAPAZ DE TUDO!!

Hoje (ontem e todo dia) eu deixei um chorando pra atender o outro, corri em um e deixei o outro sem resolver… Vi um querer acalento para dormir e outro companhia pra brincar… E eu? Fui nem uma coisa e nem outra, tentado ser tudo!

Rede de apoio não é luxo, não é manha. Feliz das mães que conseguem ter um braço direito, um alguém que cuida com carinho, que divide os afazeres, que nos permite “descansar” fazendo uma coisa de cada vez… Eu vejo julgamento e não entendo sobre o que as pessoas tanto discutem sobre O MATERNAR.

Só a gente sabe as DORES e as DELÍCIAS das nossas escolhas. E podemos ficar tranquilas, porque fácil não é pra nenhuma de nós, com 1, 2, 5 ou 10 filhos. Com a melhor rede de apoio do mundo, eu arrisco dizer que você se sentirá sozinha.

A solidão da mãe é daquele ser de antes, aquele que existe, ainda que sentadinho num cantinho, observando todas as nossas mudanças, tentando não ser esquecida, mas sem querer ser exposta na sua fragilidade.

É muito difícil, porque em meio a tanto amor… SOLIDÃO!

Ahhh a gente sente mesmo… Não é falta de rede de apoio, não é ausência do marido, não é estar longe da família… É uma solidão de mãe. Um sentimento de que “se não for eu, vai ser quem?”.

Tão perfeito, não tem nada mais mágico do que ser importante para alguém, mas ser mãe é mais que isso e tem um peso diferente!

Tem gente que chora, às vezes eu choro também, todo mundo sente, mas cada uma em níveis e significados diferentes… tão igualmente sozinha.

Um monte de decisão importante pra um coração tão inseguro, forte, mas inseguro. Falamos tanto de julgamentos na maternidade, justamente porque dói na nossa ferida, na nossa fragilidade. São tantos caminhos sem certeza nenhuma e você conduzindo o “trem da alegria” na sua melhor intensão! Mas terá sempre uma teoria para dizer que está errada e te deixar confusa e culpada: FATO!

A solidão da mãe não tem hora, dia, pessoa que resolva… acho legal sabermos que faz parte também dos hormônios, mas também de todo amadurecimento desde quando esse serzinho habitou você. E no fundo, acho que o pai sente sozinho também as responsabilidades dele, mesmo eu aqui.

Vão ter dias mais pesados e dias que a gente queria mesmo era ficar SÓ de verdade pra fazer jus a essa danadinha… Mas seguimos, equilibrando as emoções, os meninos, a saudade, a vida!

Kamylla Bittencourt, mãe do Yuri (03 anos) e do Kael (Quase 01 aninho)


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