Valorizando Valores

14 de Janeiro de 2022

Fui convidada pela querida Nívea para escrever sobre a maternidade já faz um tempo, mas eu estava esperando vir aquele “click” para escolher o que escrever em meio de tantos sentimentos, experiências e desafios de ser mãe.

E hoje, as 20:55 da noite, quando finalmente estava sozinha tomando aquele banho quente e longo, o “click” veio!

Meu nome é Cláudia, e moro nos EUA há mais de 13 anos. Sou casada com um Americano que é apaixonado pela cultura brasileira. Temos 3 filhos, o Lucas de 8 anos, a Sophia de 5 anos e a Bella de 3 anos. Quando eu conheci meu esposo, Billy, logo no começo do nosso relacionamento deixei bem claro para ele que se casássemos e tivéssemos filhos eu não abriria mão de ensinar meus filhos a falarem português e o Billy, desde o começo me apoiou.

Antes do Lucas nascer, li 3 livros de como educar uma criança bilíngue. Me senti superpreparada para a jornada e com bastante segurança de que seria fácil. Quando o Lucas nasceu, eu só conversava com ele em português. O Billy começou a aprender a falar português também. Lucas aos 2 anos estava fluente em português, mas falando muito pouco inglês. Então, colocamos o Lucas na escola, e os avós paternos (Americanos) ofereceram de passar umas 4 horas por semana com ele. Eu então comecei a ficar preocupada de que o Lucas não ia conseguir comunicar na escola e nem com os avos. Comecei a ficar com medo de que o Lucas poderia rejeitar a escola e avós pela falta de comunicação. Fiquei com medo dele sofrer preconceito. Fiquei com medo dele ficar com medo. Ou seja, como toda mãe, senti todos os medos que sentimos quando temos que tomar decisões tão significativas na vida dos nossos filhos. Por causa desses meu medos, decidi então que dentro de casa eu falaria em português, mas fora de casa, na frente da família Americana, eu falaria inglês, e assim foi!

Porém, quando o Lucas já tinha um pouco mais de 3 anos, estávamos sentados a mesa de jantar, quando o Lucas falou algo em inglês e eu disse “eu quero que você fale de novo, mas em português”. O Lucas olhou para mim e disse “não quero falar essa língua mais! Essa língua é chata”

Quando ouvi essas palavras vindo da boca do Lucas, o primeiro lugar que elas alojaram foi dentro do meu coração. Ali tudo parou. Meu filho não gosta de falar a MINHA língua? Como assim? A minha língua é quem eu sou, faz parte da minha cultura e é a única maneira que meus filhos poderiam comunicar com meus pais e familiares no Brasil! Ali naquele momento, lembrei daquela mãe que decidi ser quando li 3 livros de como educar uma criança bilingue e então tomei a decisão de que daquele dia em diante, meu filho e meus futuros filhos jamais falariam comigo em inglês, e eu jamais conversaria com eles em inglês. Hoje 5 anos depois eu ainda somente falo português com meus filhos. Ensinei para os nossos amigos e família americana da importância deu falar português com meus filhos mesmo na frente deles! Se meus filhos não praticam a língua no dia a dia, eles jamais conseguiriam ser fluentes.

Mas porque decidi contar essa história? Porque muitas vezes nós mães deixamos a pressão do agradar os outros, do ouvir os outros, do preocupar com os outros falar mais alto e acabamos abrindo mão de coisas que sempre foram importantes para nós. A maternidade me ensinou, mais do que nunca, que não podemos deixar que pressões externas e nossos próprios medos sobreponham nossos valores e o que acreditamos ser certo para a nossa família.

Claudia, mãe do Lucas de 8 anos, Sophia de 5 anos e Bella de 3 anos.


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