Qual o peso de sua leveza?

Ouro Preto, 03 de janeiro de 2022

Olá mãe,

Como você está? Que bom, fico feliz. Mas, e de verdade?

Eu gostaria de te fazer uma perguntinha: qual o peso de sua leveza? Parece meio contraditório né? Talvez eu esteja numa fase meio Mestre dos Magos (entregando aqui a minha passagem pelo tempo).

Há um tempo, e sobretudo com a chegada de minha filha tenho buscado mais essa “leveza” para viver a maternidade com mais presença e ainda cuidar de tantas demandas. Mas, somente há pouco tempo me dei conta que este processo pode se tornar pesado, sobretudo se esta leveza vier de parâmetros externos e não de mim mesma, e aí, pra mim, já não faz mais sentido. Você já parou para perceber que muitas das pessoas que pregam esta vida leve não foram leves assim, do nada, e passaram por momentos de suas vidas que a fizeram mudar? E que esta mudança levou tempo, teve contexto? A maioria das mães que admiro e aprendo com elas, estão no segundo, terceiro filho. Não estou dizendo aqui que terá um número mágico e que se eu escolher ter somente um filho, estarei lascada. Não é isso.

Mas, eu quero dizer que você, mãe de primeira viagem, filho pequeno, está no início do processo de autoconhecimento. Aquelas mães seguras e leves, já surtaram, já se sentiram perdidas, não saíram da maternidade veganas, eco-friendly, parto natural, filho comendo verduras sem errar, sem se perder. Gosto muito de uma mãe, hoje com 4 filhos, que conta seu processo para ser o que é HOJE. Ela não foi assim sempre. Primeiro filho cesária, 4o filho parto natural em casa. Entendeu a pegada? Teve um processo de descoberta, aprender a abandonar alguns pratinhos porque sim, alguns vão quebrar ao longo do caminho e está tudo bem.

Eu entendi que para que o maternar seja mais leve eu preciso criar momentos com minha filha que sejam prazerosos para mim também. E isto é uma construção com ela. Há brincadeiras que eu não gosto e ela busca o pai. Mas, também me abri para algumas outras porque ela está me dando uma segunda chance de ser criança outra vez, e eu aberta e grata por isto. Não estou dizendo que é fácil ou se sempre vai rolar tranquilamente.

Mas, sobretudo, e aqui o que quero dizer: este processo é individual – não necessariamente solitário. Se você se cobrar pra ser leve, se comparar a cada “falha” e simplesmente se frustar por não estar ainda no nível que gostaria, a coisa já não está tão legal assim, né. Tente ser gentil com você mesma, tente ir tirando uma carga de cada vez.

Abrace o processo. Tudo passa e você chega lá!

Com afeto,

Ana Cláudia.  


GOSTOU DA CARTA E QUER ENVIAR UMA PRA GENTE?


Descubra mais sobre Diário da Mãe em Construção

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário