Lagoa Santa, 01 de dezembro de 2021
Nossos primeiros 15 dias com o Tom foram os primeiros 15 dias mais loucos, surreais, bagunçados, intensos, transformadores, da minha vida. Eu arrisco dizer que nunca chorei tanto na vida quanto nesses 15 dias. Chorei de alegria, de medo, de desespero, de dor, de sono, de frustração, de raiva… Sobretudo chorei (MUITO) de saudade.
Eu nunca imaginei que com a chegada de um novo bebê eu sentiria tanta falta do meu filho mais velho. Do meu tempo com ele. Do sorriso fácil, das frases marcantes, do abraço apertado (bem sufocante), das brincadeiras, da gargalhada, as horas e horas cantando as músicas da família finger, nossos banhos, nosso aconchego. Que falta tudo isso me faz. E olha que eu me preparei super para esse puerpério. Eu desabei, desesperei, me faltou o ar. Eu mal conseguia olhar para o Raul sem chorar. De culpa, de abandono. Eu estava sentindo que tinha abandonado ele, mas me sentia abandonada também, por ele, por mim mesma. Uma sensação terrível de estar sendo péssima para ele e consequentemente para o Tom. Sabe aquela história de não conseguir fazer bem feito nem um trabalho, nem o outro? Pois é.
A maternidade, em especial o puerpério, são mesmo um caminho muito solitário. E falo isso sem direito nenhum de reclamar, de me colocar nessa posição, embora me sinta sozinha muitas vezes. Tenho uma rede de apoio incrível, pessoas que se desdobram para cuidar de mim, cuidar dos meninos. Pessoas que podem até não entender esse processo (acho que o puerpério é tão de cada uma de nós, que só quem passa por ele sabe), mas caminham nele, às escuras, prontas para acolher minhas sombras.
Raul está bem, infinitamente melhor que eu, claro que sente minha falta, pede abraço, pede colo, pede para brincar (e aqui já falamos algumas vezes sobre a importância do brincar para a criança), está mais sensível, até mais agressivo (e tá tudo bem também. É importante deixar a criança expressar seus sentimentos. Para ela entender e se autorregular). Choramos juntos algumas vezes. Acho que ele estar lidando com a chegada do Tom e nosso afastamento inicial, esperado, de forma tão natural e tranquila também me abalou, de repente meu primeiro bebê cresceu, já lida (e bem) com questões emocionais de forma madura, sem necessariamente precisar de mim. É isso! Ele já não precisa mais tanto de mim e isso também dói! Eu só conseguia sentir, não estava conseguindo me autorregular. Entendi então que eu precisava me permitir sentir, para então trabalhar esses sentimentos em mim e assim estar inteira para o Raul e agora para o Tom.
Um dia de cada vez, nem sempre é fácil, mas já consigo me acolher, me validar, para então acolher e validar os sentimentos do Raul, para me entregar ao Tom. E seguimos. Com muito amor!
Mariana Furtado.
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