Matemática na maternidade

Conselheiro Lafaiete, 25 de novembro de 2021

Querida mamãe,

Hoje estou animada a falar de matemática… O que você acha, bora encarar um pouco de números? Pois bem, vou começar pelos números das minhas avós… A minha avó paterna faleceu aos 102 anos e minha avó materna completa no próximo dia 01 de dezembro 98 anos. O que me deixa com uma bela expectativa de vida, não acha? Com essa genética maravilhosa a meu favor, estipulei uma expectativa de vida para mim, de no mínimo, 100 anos. Assim como elas, lúcida e saudável para viver muita coisa boa…

Vamos continuar com os números. Quando a Isabela nasceu eu tinha 31 anos e 33 anos no nascimento da Maria Luisa. E lá vem mais uma expectativa… Nos primeiros dez anos de vida das crianças, elas demandam boa parte da atenção e do tempo dos cuidadores, não é mesmo? Não foi nada diferente no meu caso. Mas a partir dos dez anos, essa demanda já reduziu bastante e acredito que a essa redução será ainda maior. Então, quando elas tiverem por volta dos 18 anos, entendo que elas estarão praticamente independentes, vivendo as suas próprias vidas, de uma forma ou de outra.

Vamos então voltar lá para as minhas contas. Fui mãe aos 31 e a minha expectativa é que elas serão independentes aos 18, como são duas, cerca de 20 anos aí na minha história de vida.

Assim, quando minhas filhas estiverem independentes, eu estarei com aproximadamente 51 anos de idade e ainda me restará mais 50 anos para eu viver… Eu comecei a pensar a respeito quando minhas filhas estavam na primeira infância e eu sentia uma demanda enorme por parte delas.

Mas, Nívea, o que você quer dizer com tudo isso?

Foi aí, que conclui, que seria muito fácil eu tornar a vida das minhas filhas a minha única razão de viver. Que na verdade, isso já estava acontecendo de uma maneira muito natural e que era bem gostosa e gratificante, naquele momento. Mas que no futuro, quando elas atingissem a independência e passassem a fazer as próprias escolhas, o que eu iria fazer com os cinquenta anos que me restavam? Estaria a mercê das escolhas delas? E outra questão que considero ainda mais crítica, eu acabaria impedindo-as de fazer as suas próprias escolhas.

E foi aí que descobri o quão é importante se dedicar a outros aspectos da vida após a maternidade, por mais difícil e desafiador que isso seja, principalmente quando as crianças estão nesta fase. E o quanto é importante curtir as fases da vida das crianças, pois passa tudo tão rapidinho… Talvez seja esse o grande paradoxo da maternidade… Tudo isso mexeu tanto comigo e me fez pensar por semanas e para falar a verdade, ainda me faz refletir.

Então, foi a partir desses pensamentos que eu passei a dividir o meu tempo e a minha energia da seguinte forma:

– Nívea mãe: para que eu crie laços fortes com as minhas filhas, que esses laços se eternizem;

– Nívea esposa: para que a sementinha que me uniu ao meu marido continue florescendo;

– Nívea mulher: para que eu ainda me identifique e consiga ter clareza do que eu gosto e do que me faz bem e das minhas necessidades pessoais,

– Nívea profissional: para que eu me realize.

Ainda existem umas outras Níveas aí, como a Nívea filha, Nívea irmã, Nívea amiga, Nívea tia…

Passei inclusive a explicar isso para elas, dizendo, filhinhas, agora preciso conversar um pouco com o seu pai. Agora preciso cuidar de mim e descansar.

E assim, vou seguindo, neste equilibrar de pratos, neste equilíbrio dinâmico, trazendo a consciência nas escolhas e no resgate daquelas Níveas que vez ou outra, fica esquecida por alguma circunstância…

Com muita persistência, deixo meu abraço afetuoso!

Nívea Viana, 44 anos, mãe de Isabela 13 anos e Maria Luisa, 11 anos. 


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