Escrever é libertar a alma

Mariana, 17 de Dezembro de 2021

Quando recebi o convite para escrever assiduamente para o Blog “Diário da Mãe em Construção” pensei: “Meus Deus, onde arrumarei tempo para isso?”. Devido a estima que tenho pela sua fundadora, num ato meio impensado, aceitei de prontidão. Com o passar do tempo, mesmo em meio a rotina confusa da pandemia, percebi que escrever sobre o meu maternar, especialmente sobre as minhas dificuldades, começou a me trazer mais entendimento…

Entendimento sobre mim… Sobre dificuldades inerentes ao meu ser e que existiam muito antes de eu ser mãe. Sobre a minha relação com a maternidade e como vejo cada uma das suas etapas. Sobre a falta de conhecimento sobre características do desenvolvimento infantil e que prejudicavam a forma como interagia com meu filho em determinados momentos. Sobre a forma como lidava com as dificuldades que cada fase do desenvolvimento impõe.

E esse processo começou a gerar frutos para a minha saúde emocional, afinal entender um pouco mais sobre o que somos e fazemos nos dá a possibilidade de melhorar!

A riqueza desse processo não se deu apenas pela escrita da minha história materna, mas também pela leitura dos textos escritos por outras mães que, ao compartilharem as suas experiências, me mostraram em diversos momentos: “Mãe, não é só você que está passando por isso!”; “Mãe, eu te entendo”; “Mãe, eu passei por momentos muitos difíceis mas consegui superar”; “Mãe, você precisa envolver mais pessoas no processo de cuidar”; “Mãe, essa fase é normal e vai passar”; “Mãe, eu também me sinto sobrecarregada”, e por aí vai, num mix de lições e sensações que acolhem, fortalecem e motivam.

A troca de experiências maternas transcendem o ato de maternar, pois nos fazem buscar as raízes de alguns problemas, que bastante comuns na maternidade, esbarram nas crenças sociais que imputam ao feminino a responsabilidade maior pelo cuidado com a casa, com o outro, com o filho. O estigma do homem como o provedor financeiro e da mulher como a cuidadora está, felizmente e cada vez mais, sendo superado. Contudo, não há como negligenciar que as diferenças salariais e a forma como o masculino encara a sua participação nas tarefas domésticas e criação dos filhos, ainda muito influenciam na inserção feminina no mercado de trabalho e na distribuição das jornadas (domésticas e não) de trabalho. Abro um parêntese para também validar as dificuldades que o masculino enfrenta com relação ao papel que lhes é estimulado e cobrado na sociedade. Discutir uma causa não significa invalidar a outra. No meu entendimento a reflexão sobre ambos os papéis e aquilo o que absorvemos cultura e socialmente colaborará para a melhoria geral das relações.

Criar um ser humano talvez seja a tarefa mais complexa a qual desempenharemos na vida. Ela nos exigirá habilidades de diferentes ordens e naturezas para que consigamos promover a saúde física, mental e social dos nossos filhos. Em uma sociedade pragmática, marcada pela “cultura” de priorização dos resultados acadêmicos, reservar um tempo para se pensar sobre as relações é contribuir para a saúde emocional das famílias.

Escrever sobre maternidade tem representado para mim a possibilidade de maior autoconhecimento, de ampliação da visão acerca dos papéis feminino e masculino na criação dos filhos, desmistificação de crenças, valorização do processo de cuidar e conscientização acerca da importância de reservar tempo para a reflexão e intercâmbio de experiências. Sair do piloto automático da rotina diária, alivia e abre caminhos.

Por isso, externo aqui o meu agradecimento à Nivea Viana (@niveavianacoachfamiliar) pelo convite e às minhas parceiras de Blog e trabalho (Diva, Sílvia, Vanessa, Anna, Malu e Isa), as quais tive o imenso prazer de conhecer e trilhar novos caminhos, cheios de aprendizado. Afinal, como sempre dizemos, juntas somos mais fortes!

Luciana Marques, 37 anos, mãe do Caio de 05 anos. 


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