Conselheiro Lafaiete, 03 de novembro de 2021
Querida mamãe,
Quando minha filha tinha uns três anos, ela me colocou de castigo. Mas como assim? Pois é, vou explicar melhor.
Aqui em casa, tínhamos o hábito de colocar as crianças de castigo quando elas não se comportavam da maneira que esperávamos ou que representasse algum risco para ela ou para outras pessoas. E elas conheciam essa regra. Eu só não imaginava que conheciam tão bem.
Em um dia, quando elas tinham 3 e 1 anos, estávamos nós três em casa e eu havia comprado uns copos de plástico para elas utilizarem. Eu tinha o hábito de colocar esses copos em um recipiente com água e deixar ferver por uns cinco minutos, na intenção de promover uma limpeza mais cuidadosa antes do uso. E assim, o fiz.
Mas no meio desse processo, enquanto a panela estava no fogo com os copos, fui brincar com elas. Não sei bem o porquê, fechei a porta da cozinha (acho que tive medo das meninas irem a cozinha com o fogão acesso) e fomos para a sala assistir um DVD e começamos a dançar. Aí, né, claro, perdi a noção do tempo. De repente, senti um cheiro de queimado e um pouco de fumaça entrando na sala.
Fui correndo para a cozinha e ela estava que era pura fumaça. A água tinha secado completamente e os copos derretidos. Havia um pano por cima da tampa do fogão que estava levantada e ele também já começava a pegar fogo. Então desliguei a panela, apaguei o fogo, abri a janela e a porta e resolvi a questão.
Quando tudo estava mais tranquilo, foi que a minha filha mais velha chegou perto de mim e disse:
– Mamãe, agora você vai para a cadeirinha de pensar, avaliar o que você fez. Você quase pos fogo na casa.
Assim, meio confusa, mas agradecida por não ter acontecido nada de pior, fui para a cadeirinha de pensar e fiquei lá um tempo. Na época e no momento, considerei pertinente o comportamento dela e não tive argumentos para fazer diferente. Embora, durante muito tempo me questionei se havia se havia sido muito permissiva, se havia transferido a minha autoridade de mãe para uma criança de 3 anos.
Mas hoje, quando penso e reflito a respeito, acredito que na verdade não foi transferência de autoridade e sim, cumprimento de acordos. Ela compreendeu em quais situações era necessário o castigo e assim o fez, de forma, que eu não tive nem argumentos para questionar. Além do mais ela me fez parar e pensar a respeito do que eu tinha feito e quais consequências das minhas ações. Talvez, ela tivesse compreendido, o real significado da importância de parar, avaliar e compreender os nossos comportamentos e suas consequências.
Avaliando agora, percebo que sim, o castigo pode ser mais do que ensinar as crianças a mentir e a se vingar. Pois, fazendo um retrospecto, foi isso que aprendi com a maioria dos meus castigos na minha infância. Ele pode ser encarado como um momento de reflexão que nos ajuda a acalmar e refletir sobre comportamentos e consequências. Mas como? Talvez se for precedido de conversa, conversa franca e aberta, onde todos tenham a liberdade de se expressar educadamente. E quem sabe até o nome pode ser mudado de cantinho do castigo para o cantinho da reflexão.
Com muito carinho, me despeço.
Nívea Viana, 44 anos, mãe de Isabela 13 anos e Maria Luisa, 11 anos.
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