Conselheiro Lafaiete, 15 de outubro de 2021
Querida mamãe,
Como é gostoso perceber como conseguimos encarar os nossos próprios medos, não é mesmo? E compreender que nossos filhos também conseguem vencer os deles, não tem preço! Pelo menos para mim.
Eu aprendi a nadar quando era menina, fazia aulas de natação e cheguei a participar de algumas competições. Não sei bem ao certo quando e porque, eu parei com as aulas. Acho que ficou difícil manter a permanência devido ao frio de Ouro Preto no inverno. Talvez seja por isso. A prática de esportes é algo que aprendi com os meus pais, principalmente a partir do exemplo. Meu pai foi jogador de futebol na cidade e corre frequentemente até hoje. A minha mãe está sempre fazendo alguma aula que reveza entre pilates, hidroginástica, dança, musculação. Eles me inspiravam e inspiram até hoje, com palavras e exemplos sobre a importância da prática do esporte para a nossa saúde física e mental.
E assim, matriculamos as nossas filhas na natação quando elas eram bebês e elas permanecem até os dias atuais. Eu também voltei a nadar, por alguns motivos, entre eles, por gostar de água e também por ter mais uma atividade em comum com elas. Passamos também a participar de treinos direcionados para as competições de natação regional. E por alguns anos, treinávamos juntas semanalmente.
Nas competições, eu ficava muito nervosa. Lembro que, nos dias de prova, acordava com dor de barriga, ficava tremendo mas não deixava de ir e incentivava as meninas a fazer o mesmo. E quando eu nadava e terminava a prova, era uma sensação sensacional. Sensação de ser capaz de fazer algo apesar do medo e do nervosismo. E em algumas situações, perceber a superação pessoal pela redução do tempo de nado, ou por conseguir participar de uma prova que eu ainda não tinha experimentado e nem me achava capaz.
Quando a minha filha caçula participou da primeira competição dela, foi a mesma coisa. A escola a convidou para participar e ela concordou. Talvez pelo fato da Isabela, já ter participado e ganho algumas medalhas, talvez pelo fato dela já ter me visto participar, não sei bem ao certo. Acho que ela tinha de quatro a cinco anos.
Percebi que ela estava extremamente nervosa, muito medo mesmo. Então, assim que se aproximou a prova dela, deixei-a com o professor e procurei ficar fora do alcance de visão dela. As vezes acho que a minha presença como mãe, nestas situações mais atrapalha que ajuda. Não sei bem o porque, mas talvez seja pelo fato de eu não conseguir esconder a minha compaixão e meu desejo de tirá-la desse desconforto. Talvez seja covardia pura, né? Não querer vê-la passar seus apertos. Sei lá.
Quando o apito foi dado, ela pulou na piscina chorando e seguiu chorando toda a prova. Mantinha um bracinho na prancha e o outro esticado me chamando:
– Mamãe… mamãe…
Demorou um tempão para completar a prova, mas chegou no final. Ouvia algumas pessoas do meu lado, se questionando, cadê a mãe dessa menina para tirá-la da água.
Eu reforçava a opinião que ouvia, dizendo: É mesmo, cadê essa mãe? Que mãe desnaturada.
Acho que eu disse isso, pois se eu me conscientizasse que eu era a mãe dela, seria capaz de pular na piscina e carregá-la nos braços e ficar com ela ali abraçadinha, consolando-a o resto do dia e me culpando por ter permitido tal situação. Agindo como estranha, consegui deixá-la seguir por ela mesma.
Ao concluir a prova, ela saiu da piscina e recebeu a medalha de participação. Chegou perto de mim, com a medalha no peito, olhinhos inchados, mas um sorrisão nos lábios. Neste momento, o meu coração quase parou ou explodiu, não sei ao certo. Os meus olhos umedeceram e minha boca se abriu em um sorriso, expressando o reflexo de todo aquele sentimento sensacional que eu já havia experimentado. Realização, conquista, ser capaz de enfrentar o medo e nervosismo e conseguir finalizar a prova.
Celebramos juntas esse belo dia!
Com um belo sorriso sereno, me despeço carinhosamente!
Nívea Viana, 44 anos, mãe de Isabela 13 anos e Maria Luisa, 11 anos.
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