Os antagonismos da maternidade

Mariana, 22 de outubro de 2021.

Confusão de sentimentos… Qual mãe nunca sentiu isso?

Às vezes nos vemos tristes ou desanimadas, mas impressionantemente, sempre buscando o lado positivo de qualquer situação relacionada aos nossos filhos. 

Seria uma forma de nos consolarmos pelas dificuldades inevitavelmente impostas pelo processo de cuidar? Ou um mecanismo de defesa em meio ao excesso de atribulações maternas? Ou simplesmente mais um sentimento altruísta do ser mãe?

Talvez um pouco de cada um não é!

Essa semana em alguns momentos em que decidi me dedicar plenamente ao que fazia, abstraindo-me do mundo ao redor, e isso inclui o meu pimpolho de 05 anos, fiquei a viajar na sua capacidade altamente desenvolvida de fazer uma verdadeira algazarra nos ambientes em que está! Ele espalha brinquedos, quebra-cabeças, picota e esparrama papéis, tira roupas de cama do lugar pulando em tudo, e por aí vai… Em situações em que necessitei conversar mais tempo ao telefone, cheguei a gravar para a pessoa do outro lado, o que o meu pequeno conseguiu fazer nesse espaço de tempo: já teve barricada de brinquedos atrás da porta, escalada de cesto de roupa com direito a deitadinha no bojo do tanque, retirada de colchão da cama para virar escorregador e, invariavelmente, um mundo de brinquedos a serem catados no final de tudo.

Eu, que sempre necessitei de isolamento e atenção centralizada ao que faço para conseguir render, me vi, desde que o meu pequeno nasceu, tentando desenvolver uma linha de raciocínio que, com toda sinceridade, até hoje não se consolidou. No mundo do filho único e praticamente sem primos, eu me tornei a grande amiga-prima-irmã, que após 02 anos de pandemia, com ele em casa, mal consegue terminar duas frases sem ser interrompida por um longo e sonoro: “Mãaaaaae”.

Isso não significa que não há conversas importantes com ele sobre respeitar o espaço do outro ou, às vezes, alguns “xingos” para que entenda que em alguns momentos eu simplesmente não posso atendê-lo.  Como também que eu não necessite de adaptações mentais e internas, pois bem sei que preciso rever minha forma de desenvolver meus projetos, afinal, ser mãe significa reajustar rotas ou mecanismos de executar tarefas. Filho exige tempo e este precisa ser redimensionado!

A minha questão é que, após três anos do seu nascimento e de uma dedicação mais intensa a ele, quando resolvi esquematizar, junto ao meu companheiro, uma rotina que me proporcionasse mais liberdade para os meus projetos, instalou-se a pandemia mundial. E tudo o que fora planejado, foi por água abaixo.

Neste cenário, mesmo com as dificuldades cotidianas do isolamento social, não há como não olhar o lado positivo de tudo: estamos bem, meu filho tem uma estrutura familiar que o acolhe, e, sem interagir com nenhuma criança, está tudo bem ele recrutar e jogar para o ar todos os seus brinquedos. A energia de crianças pequenas é algo admirável… Cansa a nós adultos, mas no mostra a grande força vital do início da vida que, por diversas razões, vai sendo perdida com a passagem do tempo.

E falando em antagonismo e sobre bagunça, fecho a minha carta com a mensagem de uma mulher, especial, que conheci virtualmente (Germaine Tilwitz – Insta @germainetill) e que, convivendo com uma situação desafiadora de saúde, está sempre a me mostrar importantes lições:

“Essa sou eu! Em casa, na vida!

Não deixo de fazer o que me encanta por não estar pronta… Pode chegar, entrar, sentar. […]

Não deixo jamais de receber alguém por não estar com a casa toda em ordem. Não deixo jamais de aproveitar o tempo por esperar o momento certo.

Entra, senta aí… Vamos tomar um café ou um vinho. Vamos rir e conversar enquanto eu faço um bolo para nós. […]

Enquanto o bolo assa, vamos de rir de amenidades ou chorar por problemas da vida. Mas não vamos perder tempo!

Entra, não repara a bagunça. Ela faz parte de quem está vivendo… Na casa e na VIDA.”

Com essa mensagem, eu fecho a minha carta.

Luciana Marques, Mãe do Caio, 37 anos


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