Ouro Preto, 26 de setembro de 2021.
Em novembro de 2015, sem planejar, meu companheiro e eu descobrimos que estávamos grávidos da nossa primeira filha. Passado o susto inicial, começamos a nos preparar para que a gestação transcorresse de forma saudável.
Umas duas semanas depois da descoberta, o meu companheiro leu o relato de parto de uma amiga dele no Facebook e compartilhou comigo. Ficamos muito felizes com a história dela e também muito curiosos para conhecer o Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, onde o bebê dela tinha nascido. Nós tínhamos acabado de sair de uma consulta particular péssima com um médico obstetra na cidade para onde a gente tinha acabado de mudar (que é Itabira) e decidimos ligar para o Sofia e agendar uma visita para conhecer o hospital.
Assim, antes mesmo de contar sobre a gestação para as nossas famílias, fomos até BH para conhecer o hospital que, a essa altura, já tínhamos buscado informações sobre. Quando chegamos lá, foi um misto de sensações: é um hospital público, 100% SUS, enorme, que fica numa região periférica da capital mineira e é referência em parto humanizado e em tratamento/assistência neonatal . Fomos recebidos por uma doula voluntária e, depois de visitar todo o prédio do hospital, fomos para a casa de parto e para o núcleo de práticas integrativas, que são anexos ao bloco. Olhei pro meu companheiro e disse: quero parir aqui!
Até as 27 semanas de gestação, fizemos o pré-natal no posto de saúde em Ouro Preto. A partir daí, iniciamos o pré-natal também no Sofia Feldman. Foi quando conhecemos a Sol, a enfermeira obstetra que nos acompanhou na reta final dessa jornada. Costumo dizer que a Sol foi como um raio de sol nas nossas vidas. Profissional mais que competente, ela também se tornou uma amiga que nos acolhia em todas as nossas angústias e medos. Quando chegamos nas 35 semanas, ela nos recomendou e nos ajudou a fazer o nosso plano de parto.
Com 37 semanas e como as consultas passaram a ser semanais, meu companheiro e eu nos mudamos temporariamente para BH, pra casa de uma prima do João. Estava chegando a hora! O colo estava apagando, já tinha perdido o tampão mucoso, estava com 3 cm de dilatação. Pensamos: logo, logo nossa menina chega. Que nada! Para aliviar um pouco o stress e como o João estava de recesso no trabalho, tivemos um tempo para “curtir” a capital mineira. Com 39 semanas fomos a alguns shows da virada cultural: Criolo, Lenine, Sandra de Sá. Também fomos ao museu do Inhotim.
Com 40s2d, um líquido começou a escorrer pela minha perna. Era bem pouquinho, mas contínuo. Ligamos para a Sol. Ela estava de folga e nos orientou a ir para o hospital. Na triagem foi confirmado que minha bolsa estava parcialmente rompida (o que eles chamam de bolsa rota) e que eu estava com 4 cm de dilatação. O hospital estava lotado, com todos os quartos e leitos ocupados. Durante um tempo, ficamos aguardando no corredor da enfermaria. Disseram que eu podia fazer uso do banheiro, do bebedouro e disseram pro João me estimular a fazer pequenas caminhadas e exercícios de respiração e agachamento.
Por volta das 14 horas surgiu uma vaga na enfermaria. Ao meu lado estava uma moça que estava tendo um processo de aborto espontâneo. Estavam tentando “segurar” a gestação dela, mas, infelizmente, ela acabou perdendo o bebê. Essa cena me fez sentir muito medo e tive um período longo sem conseguir dilatar e sem querer me movimentar. Vendo como eu estava, o João começou a me estimular e me convenceu a andar um pouco e também a comer. Por volta das 22 horas, vagou um quarto e fomos levados para lá.
A enfermeira obstetra que nos recebeu fez o toque e auscultou o coração do bebê. Estava tudo indo bem. Foi nesse momento que a Vivi, doula voluntária, se apresentou e se dispôs a nos acompanhar. A presença da Vivi me trouxe confiança e um novo gás. Ela me explicou sobre a respiração, sobre os agachamentos nas contrações e a não fazer força demais. Fez massagens, me ajudou a experimentar diferentes posições para que eu achasse a mais confortável, incentivou o João a fazer massagens durante as chuveiradas que tomei…
Por volta da meia-noite, vagou um quarto com banheira e fomos para lá. Nosso amigo e fotógrafo também chegou. Na banheira, encontrei “A posição”, com “a” maiúsculo: Gaskin! Depois de tomar uma garrafinha de água, tendo o João ao meu lado e segurando a mão da Vivi, escutei meu companheiro dizendo que estava vendo a cabeça da nossa filha. Em seguida, a última contração e a última força: é, à uma 01:32 da manhã, da madrugada, Nina nasceu! João cortou o cordão umbilical, saímos da banheira e me levaram para uma cama. Enquanto a Vivi me ajudava com a amamentação, minha placenta nasceu. Uma hora depois, carregando a minha filha nos braços, fomos andando para o quarto onde estavam outras 5 mamães e alguns papais. Ficar num quarto compartilhado foi uma experiência incrível, pra mim e para meu marido, que eu conto para vocês um dia numa outra carta.
Abraços,
Vanessa, Mãe da Nina e do Tom,
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